Curiosidades

Hábitos masculinos que podem aumentar o risco de câncer de colo do útero

O câncer do colo do útero é uma doença que afeta exclusivamente pessoas que possuem colo do útero, mas isso não significa que os homens não tenham participação na prevenção. O principal fator relacionado ao desenvolvimento desse câncer é a infecção persistente por tipos oncogênicos do HPV, vírus transmitido principalmente por contato sexual. Por isso, alguns comportamentos masculinos podem contribuir para aumentar a circulação do HPV e, consequentemente, o risco de transmissão entre parceiros.

É importante esclarecer que nenhum hábito masculino, isoladamente, causa câncer de colo do útero. O que existe são comportamentos que podem favorecer a transmissão do HPV ou dificultar sua prevenção. A boa notícia é que muitas dessas situações podem ser evitadas com informação, vacinação e práticas de sexo seguro.

1. Não usar preservativo nas relações sexuais

Um dos hábitos que mais merece atenção é manter relações sexuais sem preservativo.

O HPV é transmitido principalmente pelo contato íntimo entre pele e mucosas durante a atividade sexual. O uso da camisinha ajuda a reduzir o risco de transmissão, embora não ofereça proteção total, porque áreas da região genital continuam podendo entrar em contato durante a relação.

Isso significa que a camisinha continua sendo uma importante ferramenta de prevenção, especialmente quando utilizada corretamente e em todas as relações, mas ela não elimina completamente a possibilidade de infecção pelo HPV.

2. Ignorar a vacinação contra o HPV

Muitos homens acreditam que a vacina contra o HPV serve apenas para mulheres.

Isso é um mito.

A vacinação também protege meninos e homens contra diversos tipos de HPV relacionados a verrugas genitais e diferentes cânceres associados ao vírus. Além de beneficiar quem recebe a vacina, ela também contribui para diminuir a circulação do HPV na população.

Quanto maior a cobertura vacinal, menor tende a ser a transmissão dos tipos de HPV mais perigosos.

No Brasil, a vacinação faz parte das estratégias de saúde pública para prevenir doenças relacionadas ao HPV.

3. Ter múltiplos parceiros sem cuidados preventivos

Ter vários parceiros ao longo da vida não significa automaticamente que alguém desenvolverá ou transmitirá uma doença.

O ponto importante é que o aumento do número de parceiros pode ampliar as oportunidades de exposição ao HPV quando não existem medidas preventivas adequadas.

O vírus é extremamente comum e muitas pessoas infectadas não apresentam sintomas. Dessa forma, alguém pode transmitir o HPV sem saber que está infectado.

Por isso, informação, vacinação e uso de preservativos continuam sendo medidas mais importantes do que julgamentos sobre a vida sexual de qualquer pessoa.

4. Fumar também pode favorecer a persistência do HPV

O cigarro é conhecido por causar diversos problemas de saúde e está relacionado ao aumento do risco de vários tipos de câncer.

Quando o assunto é HPV, estudos e organizações internacionais também apontam que o tabagismo pode favorecer a persistência da infecção pelo vírus no organismo, aumentando a dificuldade de eliminação natural em algumas pessoas.

Embora o câncer do colo do útero aconteça em mulheres, abandonar o cigarro é uma atitude que beneficia toda a saúde e pode fazer parte de uma estratégia mais ampla de prevenção das doenças relacionadas ao HPV.

5. Não realizar acompanhamento quando existem sinais de IST

Outro comportamento que pode aumentar a transmissão de infecções sexualmente transmissíveis é ignorar sintomas ou deixar de procurar atendimento médico.

Verrugas genitais, lesões, feridas ou outras alterações na região íntima merecem avaliação profissional.

É importante lembrar que o HPV muitas vezes não provoca sintomas, portanto a ausência de sinais não significa ausência de infecção.

Buscar orientação médica diante de alterações e informar parceiros quando necessário são atitudes responsáveis que ajudam na prevenção de várias ISTs.

O homem transmite câncer de colo do útero?

Não.

Essa afirmação precisa ser corrigida.

O homem não transmite o câncer, mas pode transmitir o HPV, vírus responsável por praticamente todos os casos de câncer do colo do útero quando a infecção persiste por muitos anos.

Essa diferença é fundamental para evitar desinformação.

O câncer é consequência de alterações celulares provocadas principalmente pela persistência de determinados tipos de HPV. A transmissão acontece pelo vírus, não pelo câncer.

Como os casais podem reduzir o risco?

A prevenção é uma responsabilidade compartilhada.

Entre as principais medidas estão:

  • Vacinação contra o HPV conforme as recomendações de saúde;
  • Uso de preservativos durante as relações;
  • Não fumar;
  • Procurar atendimento quando houver lesões ou sintomas suspeitos;
  • Realizar os exames preventivos recomendados para quem possui colo do útero.

Essas estratégias atuam de forma complementar e representam as formas mais eficazes de reduzir os riscos relacionados ao HPV.

O exame preventivo continua sendo indispensável

Mesmo mulheres vacinadas contra o HPV devem seguir as recomendações de rastreamento estabelecidas pelos serviços de saúde.

O exame preventivo permite identificar alterações nas células do colo do útero antes que elas evoluam para câncer, possibilitando tratamento precoce e maior chance de cura.

Por isso, a prevenção não depende apenas da vacinação ou dos hábitos do parceiro. O acompanhamento regular continua sendo uma das principais ferramentas de proteção da saúde da mulher.

Perguntas frequentes

Homens podem ter HPV sem apresentar sintomas?

Sim. Muitas infecções por HPV são assintomáticas, o que significa que a pessoa pode transmitir o vírus sem saber que está infectada.

A camisinha elimina completamente o risco de HPV?

Não. Ela reduz significativamente o risco de transmissão, mas não oferece proteção total porque o HPV também pode ser transmitido pelo contato com áreas da pele não cobertas pelo preservativo.

A vacina contra HPV é importante para homens?

Sim. A vacinação protege contra tipos importantes do HPV e faz parte das estratégias de prevenção de doenças relacionadas ao vírus em ambos os sexos.

Ter vários parceiros causa câncer do colo do útero?

Não diretamente. O fator principal é a infecção persistente por tipos oncogênicos do HPV. Um número maior de parceiros pode aumentar a exposição ao vírus, mas não determina sozinho o desenvolvimento do câncer.

O homem precisa fazer exame de Papanicolau?

Não. O exame citopatológico é destinado ao rastreamento do colo do útero em pessoas que possuem esse órgão. Homens devem procurar avaliação médica quando apresentarem sintomas ou alterações genitais.

Conclusão

Falar sobre hábitos masculinos e câncer do colo do útero não significa atribuir a responsabilidade da doença aos homens.

A informação correta é que a infecção persistente pelo HPV é o principal fator de risco, e homens podem participar tanto da transmissão quanto da prevenção desse vírus.

Usar preservativos, manter a vacinação em dia, evitar o cigarro e procurar atendimento diante de alterações são atitudes que ajudam a reduzir a circulação do HPV e beneficiam a saúde de toda a população. Ao mesmo tempo, quem possui colo do útero deve seguir regularmente as recomendações de vacinação e rastreamento, pois a combinação dessas medidas representa a estratégia mais eficaz para prevenir o câncer do colo do útero.

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