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EUA começam a aplicar sanções contra países ligados ao Irã

Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira (24) uma nova etapa de sua estratégia de pressão econômica sobre o Irã, ampliando sanções contra pessoas, empresas e embarcações relacionadas a atividades comerciais iranianas e advertindo governos estrangeiros sobre possíveis consequências caso mantenham determinados negócios com Teerã. A medida foi apresentada pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, como parte da chamada “Operation Economic Outcast”. Apesar de algumas manchetes sugerirem que Washington já começou a sancionar países inteiros por suas relações com o Irã, essa descrição exige uma ressalva importante: até o momento, as novas punições atingem indivíduos, companhias e embarcações específicas, enquanto os demais governos foram alertados sobre a possibilidade de futuras sanções secundárias.

Segundo a Reuters, o Departamento do Tesouro anunciou sanções contra 60 pessoas, entidades e embarcações. Entre os alvos estão negócios localizados ou relacionados a países como China, Emirados Árabes Unidos, Singapura e França. As medidas abrangem atividades nos setores de ativos digitais, ouro, tecnologia, aviação e transporte marítimo. Bessent também afirmou que empresas e instituições financeiras que contribuam para transformar receitas provenientes de negócios iranianos em recursos disponíveis para o governo de Teerã poderão entrar na mira de Washington. Ao mesmo tempo, o secretário evitou informar quais países poderiam ser diretamente afetados pelas próximas etapas da política norte-americana e afirmou que haverá um período para que governos e empresas avaliem suas relações comerciais antes de novas medidas.

O instrumento que pode ampliar significativamente o alcance das decisões norte-americanas são as chamadas sanções secundárias. Diferentemente das restrições aplicadas diretamente a cidadãos e empresas dos Estados Unidos, esse tipo de mecanismo pode atingir companhias estrangeiras que mantêm negócios com setores ou organizações sancionadas pelo governo norte-americano. Na prática, uma instituição financeira de outro país pode enfrentar limitações para operar no sistema financeiro dos Estados Unidos caso Washington considere que ela esteja facilitando transações proibidas. A China recebe atenção especial nesse cenário porque permanece como um dos principais destinos históricos do petróleo iraniano. Até agora, porém, grandes bancos chineses não apareceram na nova relação de sancionados, embora Bessent tenha afirmado que nenhuma instituição estará automaticamente fora do alcance das medidas caso participe de operações consideradas passíveis de sanção.

A decisão dos Estados Unidos também provoca reações distintas entre os governos envolvidos. A China reiterou sua oposição a sanções unilaterais sem respaldo do Conselho de Segurança das Nações Unidas e defendeu que disputas internacionais sejam solucionadas por mecanismos diplomáticos. Já os Emirados Árabes Unidos, importante parceiro comercial regional do Irã, anunciaram a interrupção de relações comerciais com Teerã, segundo informações divulgadas nesta segunda-feira. Autoridades iranianas criticaram a estratégia norte-americana e afirmaram que medidas destinadas a pressionar terceiros países a reduzir relações econômicas com o Irã representam interferência em decisões soberanas. O governo iraniano também argumenta que as restrições acabam atingindo a população e sustenta que décadas de sanções não conseguiram produzir os resultados políticos esperados por Washington.

A ofensiva econômica ocorre em um momento de forte tensão na região e de dificuldades crescentes para a economia iraniana. Os Estados Unidos mantêm sanções contra o Irã há décadas, principalmente relacionadas às receitas provenientes do petróleo, à aquisição de componentes militares e a empresas ligadas à Guarda Revolucionária. Desde o início do segundo mandato de Donald Trump, em 2025, mais de mil pessoas, embarcações e aeronaves receberam designações relacionadas ao Irã, segundo dados do governo norte-americano citados pela Reuters. Nos últimos meses, Washington também ampliou medidas sobre refinarias independentes, redes de transporte de petróleo, seguradoras e plataformas de ativos digitais. A administração Trump argumenta que aumentar o custo econômico das relações com Teerã poderá produzir resultados diplomáticos sem a necessidade de intensificar outras formas de pressão.

Os próximos passos serão decisivos para medir o alcance real da estratégia. O principal ponto de atenção será saber se Washington aplicará sanções contra instituições financeiras relevantes de grandes parceiros comerciais do Irã, especialmente China, Índia ou Rússia. A adoção desse caminho poderia ampliar consideravelmente as consequências econômicas das medidas, mas também elevar o risco de disputas comerciais e diplomáticas com algumas das maiores economias do mundo. Por enquanto, portanto, é mais preciso afirmar que os Estados Unidos ampliaram as sanções contra uma rede internacional ligada ao comércio iraniano e colocaram outros países sob aviso, e não que tenham imposto sanções generalizadas contra todas as nações que mantêm relações com o Irã. A diferença é relevante para compreender o alcance da decisão e acompanhar, com cautela, quais governos e empresas poderão efetivamente ser atingidos nas próximas etapas.

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