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Após ligação, Lula faz declaração inesperada sobre Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (23) que os problemas recentes na relação entre Brasil e Estados Unidos não estariam diretamente ligados à sua comunicação com Donald Trump. Segundo Lula, as conversas entre os dois presidentes têm ocorrido de forma respeitosa, enquanto integrantes de escalões inferiores do governo norte-americano adotariam medidas que, em sua avaliação, dificultam o relacionamento entre os dois países.

A declaração foi dada durante entrevista à Record TV, quando o presidente comentou a conversa telefônica mantida com Trump na última sexta-feira (21). Lula afirmou que ficou surpreso com algumas decisões tomadas por representantes do governo dos Estados Unidos depois de diálogos considerados positivos entre os dois chefes de Estado.

Segundo o presidente brasileiro, a comunicação direta com Trump ocorre de maneira civilizada. Lula disse que há respeito mútuo nas conversas, mas afirmou que determinadas atitudes adotadas posteriormente por integrantes da administração norte-americana não correspondem, na sua avaliação, ao clima dos contatos mantidos entre os dois líderes.

Lula declarou ainda que, em alguns momentos, não sabe se determinadas decisões relacionadas ao Brasil partem diretamente de Trump, do governo norte-americano ou de integrantes da equipe que assessora o presidente dos Estados Unidos.

Na entrevista, o presidente brasileiro afirmou ter a impressão de que Trump seria mais aberto ao diálogo político do que parte de seus assessores. A declaração ocorre em meio às tensões envolvendo medidas comerciais e outros temas que passaram a integrar a agenda entre Brasília e Washington.

Lula também destacou que Brasil e Estados Unidos precisam preservar uma relação construtiva. Segundo ele, os dois países, que classificou como as maiores democracias do hemisfério, devem buscar uma postura de diálogo e cooperação.

O presidente brasileiro ainda relatou ter mencionado a idade dos dois líderes durante a conversa com Trump. Lula afirmou que ambos têm mais de 80 anos e que, por isso, deveriam dar um exemplo de entendimento político e diplomático para outros países.

A ligação entre Lula e Trump ocorreu na manhã da última sexta-feira e durou mais de uma hora. O contato abriu espaço para uma série de discussões envolvendo comércio, segurança pública, crime organizado e conflitos internacionais.

De acordo com Lula, uma nova reunião entre representantes dos dois governos está prevista para a próxima semana. O objetivo será aprofundar as conversas e buscar avanços em temas considerados prioritários para Brasil e Estados Unidos.

Entre os assuntos citados pelo presidente brasileiro está o combate ao crime organizado. Lula afirmou que o Brasil está disposto a trabalhar em parceria com os Estados Unidos nessa área, além de ampliar o diálogo sobre minerais e terras raras.

Outro ponto mencionado foi a relação comercial entre os dois países. Lula afirmou que o governo brasileiro tem interesse em manter uma relação econômica sólida e ampliar as possibilidades de cooperação com os Estados Unidos.

As discussões comerciais ganharam destaque após medidas tarifárias adotadas pelos norte-americanos e as críticas feitas pelo governo brasileiro. Lula já havia defendido que as barreiras comerciais sejam discutidas diretamente entre os dois países, com a participação de equipes técnicas e autoridades responsáveis pelas negociações.

Além das questões econômicas, Lula e Trump também conversaram sobre conflitos internacionais. Segundo informações divulgadas pelo Palácio do Planalto, os presidentes discutiram a guerra entre Rússia e Ucrânia e as tensões envolvendo o Irã.

Os dois líderes concordaram, segundo o governo brasileiro, sobre a necessidade de buscar soluções negociadas para o conflito entre russos e ucranianos. Lula voltou a defender o fortalecimento da diplomacia como alternativa para tentar reduzir as tensões internacionais.

Durante a conversa, Trump também apresentou suas considerações sobre as perspectivas relacionadas ao conflito envolvendo o Irã. Lula, por sua vez, voltou a criticar o que considera uma falta de atuação mais efetiva do Conselho de Segurança das Nações Unidas diante das crises internacionais.

O presidente brasileiro defendeu a realização de uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança para discutir caminhos diplomáticos. A proposta, segundo o governo, segue a linha de sugestões que Lula já havia apresentado anteriormente aos presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin.

As declarações de Lula mostram uma tentativa do governo brasileiro de separar o relacionamento direto entre os presidentes das decisões tomadas por outros setores da administração norte-americana.

Ao atribuir parte das dificuldades diplomáticas às ações do chamado segundo escalão, Lula procurou destacar que, apesar das divergências e das medidas que têm provocado tensão, mantém uma avaliação positiva sobre sua interlocução pessoal com Trump.

A expectativa agora é que a reunião prevista para a próxima semana permita transformar o diálogo entre os presidentes em negociações mais concretas entre os dois governos. Temas comerciais, segurança, cooperação estratégica e crises internacionais devem permanecer no centro das discussões entre Brasília e Washington.

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