Entenda o que é Creutzfeldt-Jakob: doença super rara que atinge Lito

O diagnóstico da Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) recebido pelo influenciador Lito Sousa, conhecido pelo canal Aviões e Música, chamou a atenção para uma enfermidade rara e pouco conhecida no Brasil. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (21) pela esposa do influenciador, Mila, que relatou que a família enfrentou dificuldades até obter uma definição sobre o quadro. Segundo ela, nas últimas semanas Lito apresentou redução da capacidade motora e, após uma investigação médica, recebeu a confirmação da doença. A DCJ é uma condição neurológica rara, progressiva e, atualmente, não possui tratamento capaz de interromper sua evolução. O caso trouxe novamente ao debate uma enfermidade que possui diferentes formas e exige acompanhamento especializado para sua identificação.
A DCJ pertence ao grupo das chamadas doenças priônicas, relacionadas a alterações anormais de proteínas conhecidas como príons. Essas proteínas podem provocar mudanças no tecido cerebral e comprometer progressivamente o funcionamento do sistema nervoso. Entre os sinais que podem aparecer estão alterações de memória, dificuldades cognitivas, mudanças na coordenação dos movimentos e outros sintomas neurológicos. A evolução varia conforme o caso, mas a enfermidade costuma apresentar progressão rápida. Existem quatro formas reconhecidas: a esporádica, considerada a mais frequente; a hereditária, relacionada a alterações genéticas; a iatrogênica, associada a determinadas situações médicas muito específicas; e a variante da doença, conhecida como vDCJ.
Os dados do Ministério da Saúde mostram que a enfermidade é rara no país. Entre 2005 e 2021, período correspondente aos primeiros anos em que a DCJ passou a fazer parte da lista de doenças de notificação compulsória, foram registrados 547 casos confirmados no Brasil. O levantamento analisou 1.576 notificações de suspeitas inseridas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Desse total, 457 registros foram descartados, enquanto outros 572 permaneceram com classificação final ignorada. Entre os casos confirmados, 359 tiveram confirmação por critério laboratorial e 161 foram classificados a partir de critérios clínico-epidemiológicos. Em 27 registros, o critério utilizado não foi informado.
O perfil dos pacientes também aparece nos dados nacionais. A maior concentração das notificações ocorreu entre pessoas de 55 a 74 anos, faixa que representou 60,2% dos registros analisados. A idade média dos casos suspeitos ficou em aproximadamente 66 anos, enquanto a forma esporádica costuma ser identificada principalmente em pessoas entre 60 e 80 anos. Os números, entretanto, não significam que a doença esteja restrita aos idosos, já que diferentes fatores podem estar relacionados às formas existentes da DCJ. O levantamento ainda aponta que as regiões Sul, Sudeste e Nordeste concentraram a maior quantidade de registros confirmados, com destaque para São Paulo, que contabilizou 202 casos, seguido por Minas Gerais, com 57, e Paraná, com 44.
Outro aspecto que chama atenção é a velocidade com que a doença pode evoluir. Segundo informações utilizadas pelo Ministério da Saúde, aproximadamente 90% dos pacientes evoluem para óbito entre seis meses e um ano depois do início dos sintomas, com sobrevida média estimada em cinco meses. No período analisado pelo levantamento nacional, foram registrados 290 óbitos entre as notificações relacionadas à DCJ. O próprio boletim ressalta, porém, que existem limitações no preenchimento e no acompanhamento das informações, o que exige cautela na interpretação dos números. Por ser uma condição rara e complexa, a investigação clínica pode envolver diferentes avaliações até que os profissionais consigam chegar a uma conclusão diagnóstica.
A situação de Lito Sousa colocou a DCJ novamente em evidência e despertou dúvidas sobre uma doença que ainda é pouco conhecida pelo público. O relato da família mostra que o diagnóstico pode representar um período difícil de incertezas, especialmente diante de sintomas neurológicos que podem ter diferentes causas. A confirmação médica é fundamental para diferenciar a doença de outras condições que apresentam manifestações semelhantes. Embora atualmente não exista cura ou terapia capaz de interromper a progressão da DCJ, o acompanhamento especializado pode oferecer suporte ao paciente e à família durante a evolução do quadro. O caso de Lito, além de mobilizar seus seguidores, também ajuda a ampliar a informação sobre uma enfermidade rara que já teve centenas de registros confirmados no Brasil.



