Novas revelações sobre Lulinha mexem com Lula; PT prepara resposta

As novas revelações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana, conhecido como Marcola, e a lobista Roberta Luchsinger provocaram incômodo no entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Assessores do presidente afirmam que, até o momento, não foi identificado nenhum “ato de ofício” que demonstre que Lulinha tenha conseguido aprovar ou viabilizar contratos do governo em benefício da lobista. A avaliação, porém, é de que o conteúdo das conversas divulgadas é politicamente desgastante para o governo.
Segundo pessoas próximas ao presidente, as mensagens são consideradas inoportunas e inadequadas e reforçam a necessidade de esclarecer a relação entre os envolvidos. O governo acompanha o avanço das investigações enquanto tenta evitar que o episódio ganhe maiores proporções durante o período eleitoral.
Entre os novos elementos revelados estão mensagens que envolvem Marcola e a negociação de um contrato relacionado à venda de canabidiol para o Ministério da Saúde. As conversas também mostram Lulinha orientando uma empresária a emitir uma nota fiscal para um cliente dela.
Outro ponto que chamou atenção foram imagens e mensagens relacionadas à compra de joias. Registros encontrados no celular de Roberta Luchsinger mostram a troca de informações sobre peças avaliadas em milhares de reais e que teriam como destinatário Marcola.
As informações fazem parte da apuração sobre a atuação de Roberta, que é investigada pela Polícia Federal. A suspeita dos investigadores é de que a lobista teria utilizado sua proximidade com Lulinha como forma de ampliar o acesso a integrantes do governo federal.
O presidente Lula tem afirmado confiar no filho, mas também declarou que não pretende interferir nas investigações. A estratégia adotada pelo governo é sustentar que qualquer eventual irregularidade deve ser apurada pelas autoridades competentes, sem interferência política.
Ao mesmo tempo em que enfrenta o desgaste provocado pelas revelações envolvendo pessoas próximas ao governo, o PT prepara uma reação política direcionada ao principal adversário de Lula na corrida presidencial.
O partido pretende explorar as informações sobre os contatos entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL), especialmente em relação ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A equipe de Lula avalia utilizar as investigações da Polícia Federal sobre os recursos destinados ao projeto como contraponto às denúncias que atingem pessoas próximas ao presidente. O foco será a apuração sobre o caminho de cerca de R$ 61 milhões investidos por Vorcaro na produção.
Uma das suspeitas investigadas é a de que o dinheiro não tenha sido utilizado integralmente para financiar o filme e que parte dos recursos possa ter sido destinada a despesas relacionadas a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O deputado nega qualquer irregularidade.
Vorcaro está atualmente na Espanha, mas já afirmou que pretende retornar ao Brasil para prestar depoimento à Polícia Federal quando for chamado formalmente. O eventual depoimento é considerado relevante para esclarecer as negociações e a destinação dos valores.
O embate político deve ganhar força conforme avançam as investigações dos dois casos. De um lado, o PT tenta impedir que as revelações envolvendo Lulinha, Marcola e Roberta Luchsinger sejam transformadas em um problema maior para Lula. De outro, pretende explorar as dúvidas levantadas sobre os recursos relacionados ao filme ligado à família Bolsonaro.
Até o momento, entretanto, as investigações não estabeleceram, por si só, que Lulinha tenha obtido benefícios indevidos junto ao governo ou que os recursos destinados ao projeto de Dark Horse tenham sido utilizados de forma irregular. As suspeitas seguem em apuração pela Polícia Federal.



