Homem envolvido na morte de filho de policial, de 10 anos, morre no hospital

Um menino de 10 anos morreu após ser atingido por disparos durante uma tentativa de assalto na zona norte de São Paulo no domingo (16). A criança, identificada como Guilherme Souza de Campos, estava na garupa da motocicleta conduzida pelo pai, o policial civil Vinicius Fofa de Campos, que trabalhava no Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e estava de folga no momento. O caso chocou a comunidade local e reacendeu debates sobre a violência urbana na capital paulista.
Segundo informações oficiais, o episódio ocorreu na manhã de domingo, na Rua Pedro Feliciano Domingues, na região da Freguesia do Ó e Vila Penteado. Pai e filho haviam saído de casa para uma atividade simples quando foram abordados por um criminoso armado, que também se deslocava de motocicleta. A tentativa de roubo resultou em troca de tiros. O policial foi atingido de raspão, enquanto o menino sofreu ferimentos graves no tórax. Guilherme foi socorrido e levado ao Hospital Geral de Vila Penteado, mas não resistiu aos ferimentos. A morte foi confirmada ainda no domingo.
O suspeito, identificado como Gabriel Adriano Araújo, de 24 anos, também foi baleado durante o confronto. Ele foi encaminhado ao Hospital Brasilândia, onde permaneceu internado, mas acabou morrendo em decorrência dos ferimentos. Autoridades confirmaram a morte do criminoso horas após o incidente. Com ele foram apreendidos objetos relacionados a outros roubos na região, e a motocicleta utilizada na ação foi recolhida. Um segundo indivíduo que estaria envolvido conseguiu fugir e ainda é procurado pela polícia.
O caso está sendo investigado como latrocínio pelo Deic, departamento onde o pai da criança atua. A Polícia Civil lamentou publicamente a tragédia e reforçou o compromisso com o esclarecimento completo dos fatos. Câmeras de segurança da região registraram o momento da abordagem e dos disparos, imagens que passaram a integrar o inquérito. A ocorrência foi registrada na área do 72º Distrito Policial, mas os procedimentos judiciários ficaram sob responsabilidade do Deic.
Nesta segunda-feira (17), a família e amigos se reuniram para o velório e o sepultamento de Guilherme no Memorial Parque Jaraguá, na zona norte da capital. A cerimônia ocorreu durante a manhã, em clima de profunda comoção. O colégio onde o menino estudava, o Colégio Santa Lúcia Filippini, na Freguesia do Ó, suspendeu as aulas do dia e decretou luto. Em nota, a direção da escola expressou solidariedade à família e classificou a morte como resultado da violência que atinge a cidade. Alunos, professores e pais foram convidados a participar de uma corrente de orações em homenagem à criança.
O impacto do episódio ultrapassou os limites da família. Vizinhos e moradores da região relataram abalo emocional e indignação com a recorrência de crimes violentos envolvendo motocicletas na zona norte. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo acompanhou o caso e reiterou a importância da colaboração da população com as investigações. O policial civil Vinicius, apesar do ferimento superficial, participou dos primeiros momentos do socorro ao filho e segue acompanhado pela corporação.
Tragedias como esta evidenciam os desafios enfrentados diariamente por agentes de segurança e por famílias comuns em áreas urbanas densas. Guilherme era descrito por pessoas próximas como uma criança alegre, estudante do quinto ano do ensino fundamental, que gostava de atividades simples, como brincar e sair com o pai. A saída de moto naquele domingo, que deveria ser um momento rotineiro, terminou de forma irreversível.
As autoridades continuam apurando se o alvo da abordagem era especificamente o veículo ou se havia conhecimento prévio da identidade do policial. Independente do motivo, o resultado foi a perda de uma vida infantil e o luto de uma família. O sepultamento no Memorial Parque Jaraguá marcou o encerramento de um ciclo trágico que começou com uma tentativa de assalto e terminou com duas mortes.
A investigação segue em andamento, com a polícia buscando identificar e localizar eventuais envolvidos restantes. Enquanto isso, a comunidade da zona norte de São Paulo se une em solidariedade à família de Guilherme, pedindo mais segurança nas ruas e o fim de episódios semelhantes. A morte de uma criança durante uma ação criminosa reforça a urgência de medidas efetivas de prevenção e repressão à violência armada na capital paulista.



