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Bolsonaro ganha “reforço” nas urnas e Lula tem número bem menor

O número de candidatos que adotaram o sobrenome Bolsonaro ou fizeram referência ao nome Lula nas urnas voltou a chamar atenção no registro das candidaturas para as eleições de 2026. A estratégia, utilizada em diferentes disputas eleitorais nos últimos anos, busca associar os candidatos às duas principais figuras da política nacional, mas pode enfrentar questionamentos na Justiça Eleitoral.

Dados levantados pelo UOL junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que pelo menos 30 candidatos registraram nomes de urna contendo o sobrenome Bolsonaro. O número é inferior ao registrado nas eleições de 2022, quando 45 candidatos utilizaram a referência ao sobrenome do ex-presidente, além do próprio Jair Bolsonaro, que disputava a reeleição naquele ano.

Em 2026, o principal representante da família Bolsonaro na disputa presidencial é o senador Flávio Bolsonaro (PL). O sobrenome, entretanto, aparece em candidaturas para diferentes cargos e estados. A maior parte dos registros está concentrada no próprio PL, partido que reúne integrantes da família e aliados próximos do ex-presidente.

Entre os candidatos que utilizam o sobrenome estão nomes diretamente ligados à família. Flávio disputa a Presidência da República, enquanto Michelle Bolsonaro concorre ao Senado pelo Distrito Federal. Carlos Bolsonaro também disputa uma vaga no Senado, mas por Santa Catarina, e Jair Renan Bolsonaro é candidato a deputado federal pelo estado.

O sobrenome ainda aparece nas candidaturas de Renato Bolsonaro, irmão de Jair Bolsonaro e candidato a deputado federal por São Paulo; Valéria Bolsonaro, prima distante do ex-presidente, que concorre à Assembleia Legislativa paulista; Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro, candidata a deputada federal pelo Rio de Janeiro; e Marcelo Bolsonaro, primo de Jair que disputa uma vaga de deputado estadual em São Paulo.

Também há candidatos que não pertencem à família, mas mantêm relação política ou profissional com o ex-presidente. É o caso de Hélio Lopes, que utiliza o nome Hélio Bolsonaro e concorre ao Senado por Roraima. Outro exemplo é o capitão Mosart Bolsonaro, ex-assessor de Jair Bolsonaro, que disputa uma vaga de deputado estadual em São Paulo.

O pecuarista Bruno Bolsonaro Scheid também utiliza o sobrenome e foi escolhido pelo ex-presidente como candidato ao Senado por Rondônia. Em outro caso, Renata Bolsonaro, candidata a vice-governadora do Distrito Federal pelo Agir, possui o mesmo sobrenome, mas não tem parentesco com a família do ex-presidente.

A referência a Lula aparece em quantidade menor. Segundo os dados levantados, até sete candidatos podem utilizar o nome do atual presidente nas urnas em 2026. Em 2022, eram 15 candidaturas com alguma referência a Lula.

Entre os atuais candidatos, quatro são filiados ao PT. Outros pertencem ao Avante, PSB e PL. A utilização do nome pelo candidato do PL, porém, tem caráter de provocação política. Célio José de Moraes registrou-se como “Dr. Célio, Lula do Bem”, em uma referência crítica ao presidente.

Há também candidatos que contam com apoio político direto de Lula. Cadu de Lula, do PT, concorre ao governo do Rio Grande do Norte, enquanto Samanda de Lula disputa uma vaga no Senado pelo mesmo estado.

Outro caso é o de Carlos Lula, candidato do PSB no Maranhão. Diferentemente de quem escolheu utilizar o nome do presidente como estratégia eleitoral, ele possui Lula como sobrenome verdadeiro. Seu nome completo é Carlos Eduardo de Oliveira Lula, e ele concorre novamente ao cargo de deputado estadual.

A legislação eleitoral estabelece limites para a escolha do nome de urna. A regra determina que a identificação escolhida pelo candidato não pode gerar dúvida sobre sua identidade, ferir o pudor ou apresentar caráter considerado ridículo ou irreverente.

Por causa dessas regras, alguns registros podem acabar sendo analisados pela Justiça Eleitoral. Há precedentes de questionamentos envolvendo o uso de nomes associados a figuras políticas de grande projeção. Em 2022, por exemplo, o Ministério Público Eleitoral questionou candidaturas que utilizavam o sobrenome Bolsonaro no Rio de Janeiro.

Neste ano, o Ministério Público Eleitoral também pediu a rejeição do nome de urna “Lula do Bem”, utilizado pelo candidato bolsonarista Dr. Célio. A argumentação apresentada considera normas eleitorais que restringem o uso de nomes semelhantes aos de candidatos que disputam cargos majoritários.

O caso de Bruno Bolsonaro Scheid também foi questionado pelo Ministério Público Eleitoral. O órgão solicitou a impugnação do registro caso o candidato mantenha o sobrenome do ex-presidente, considerando que ele não pertence à família Bolsonaro.

A palavra final, entretanto, caberá à Justiça Eleitoral. Dependendo das decisões tomadas nos processos, candidatos podem ser obrigados a alterar o nome de urna ou até ter o registro de candidatura questionado. Em determinadas situações, uma decisão desfavorável também pode produzir efeitos sobre os votos recebidos.

Assim, embora a utilização de nomes associados a Lula e Bolsonaro seja uma estratégia conhecida no cenário eleitoral brasileiro, os registros de 2026 ainda poderão sofrer alterações. A análise deverá considerar individualmente cada candidatura e verificar se o nome escolhido atende às exigências estabelecidas pela legislação eleitoral.

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