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Morre aos 23 anos Lívia Berthoud, estudante de direito

A estudante de Direito Lívia Berthoud, de 23 anos, foi assassinada a tiros na manhã de segunda-feira, 10 de agosto de 2026, em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo. De acordo com a Polícia Civil, o principal suspeito do crime é o ex-namorado dela, Carlos Eduardo Barbosa Vieira Leite, de 25 anos, que foi preso em flagrante. O caso foi registrado como feminicídio e também inclui o descumprimento de medida protetiva.

Lívia cursava o décimo semestre de Direito na Universidade de Taubaté e estava próxima da formatura. Além dos estudos, ela realizava estágio no Ofício das Execuções Criminais de Taubaté, vinculado ao Tribunal de Justiça de São Paulo. Familiares e amigos a descrevem como uma jovem dedicada, que compartilhava nas redes sociais momentos de sua trajetória acadêmica e se preparava para concluir uma das etapas mais importantes de sua vida.

Segundo informações da polícia, a estudante havia registrado boletim de ocorrência por violência doméstica e obtido uma medida protetiva de urgência contra o ex-companheiro. Relatos de familiares indicam que ele não aceitava o fim do relacionamento, que havia durado cerca de quatro anos, e já havia feito ameaças. Mesmo após a separação, comportamentos de perseguição teriam persistido, incluindo tentativas de contato por diferentes meios.

Após o crime, policiais localizaram Carlos Eduardo em seu apartamento, ferido, em circunstâncias compatíveis com uma tentativa de suicídio. Ele foi internado sob escolta policial e permanece hospitalizado. No local, foram apreendidos uma arma e outros materiais relacionados à investigação. Testemunhas apontaram o suspeito como o autor dos disparos, e a perícia segue analisando as evidências.

O episódio reacende o debate sobre a eficácia das medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha. Criada para oferecer proteção rápida a mulheres em situação de risco, a medida visa impedir a aproximação do agressor, proibir contatos e garantir a segurança da vítima. No entanto, casos como o de Lívia evidenciam que a concessão da proteção judicial, embora fundamental, nem sempre impede a violação por parte de quem a descumpre. Especialistas em violência doméstica destacam que o descumprimento de medidas protetivas continua sendo um desafio recorrente no sistema de justiça brasileiro, exigindo fiscalização mais rigorosa e respostas mais ágeis das autoridades.

A morte de Lívia ocorreu em via pública, após ela deixar a academia do pai. De acordo com relatos preliminares, ela teria tentado se afastar, mas foi alcançada. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência constatou o óbito no local. O corpo foi sepultado no dia seguinte no Cemitério Municipal de Pindamonhangaba, em cerimônia acompanhada por familiares, amigos e colegas de universidade. A Universidade de Taubaté emitiu nota de pesar, repudiando toda forma de violência e prestando solidariedade aos próximos da estudante.

Situações semelhantes se repetem em diversas regiões do país e reforçam a necessidade de atenção contínua ao ciclo da violência doméstica. Muitas vezes, a agressão física é precedida por comportamentos de controle, perseguição e ameaças que não recebem a devida atenção. A obtenção de uma medida protetiva representa um passo importante para a vítima, mas sua efetividade depende da capacidade do Estado de monitorar o cumprimento e intervir rapidamente em caso de descumprimento.

O feminicídio, tipificado como crime hediondo, ocorre quando a morte de uma mulher é motivada por razões de gênero, em contextos de violência doméstica ou discriminação. No Brasil, os números anuais permanecem elevados, e cada novo caso expõe lacunas na rede de proteção. A Delegacia de Defesa da Mulher e as autoridades locais seguem investigando as circunstâncias do crime em Pindamonhangaba, enquanto o suspeito aguarda os desdobramentos processuais sob custódia hospitalar.

A história de Lívia Berthoud ilustra tanto o potencial de uma jovem em formação quanto a fragilidade das barreiras de proteção quando o risco se materializa. Famílias, instituições e sociedade são chamadas a refletir sobre como fortalecer os mecanismos de prevenção, ampliar o acesso a canais de denúncia e garantir que medidas judiciais sejam acompanhadas de ações concretas de fiscalização. Em um país que busca reduzir os índices de violência contra a mulher, cada vida perdida representa um alerta sobre a urgência de respostas mais eficazes e coordenadas.

 

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