Colapso hospitalar e toque de recolher são as realidades atuais na Colômbia

A Colômbia entrou nesta terça-feira (11) em uma nova fase de mobilização após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país na manhã anterior e deixou ao menos 162 mortos, mais de 500 feridos e dezenas de pessoas desaparecidas. No segundo dia de buscas, socorristas, bombeiros, militares e voluntários permanecem concentrados nas regiões mais afetadas, especialmente no oeste do território. A dimensão dos estragos levou os serviços públicos ao limite e obrigou as autoridades a adotar medidas emergenciais para organizar o atendimento à população. Em Cali, uma das cidades que mais registraram ocorrências, hospitais chegaram ao limite de sua capacidade, enquanto a circulação de pessoas foi restringida para facilitar o trabalho das equipes de emergência e preservar a segurança nas áreas atingidas.
O terremoto ocorreu às 7h34 no horário local, 9h34 pelo horário de Brasília, e teve epicentro próximo ao município de San José del Palmar, no departamento de Chocó, a cerca de 103 quilômetros de profundidade, segundo informações dos serviços geológicos colombiano e norte-americano. O tremor foi sentido em diversas localidades e provocou danos em edifícios residenciais, estabelecimentos comerciais e estruturas públicas. Pelo menos 18 unidades de saúde e 52 instituições de ensino apresentaram problemas estruturais, enquanto seis aeroportos também registraram impactos e tiveram suas operações comerciais interrompidas temporariamente. Nas primeiras horas após o abalo, milhares de moradores deixaram suas casas por precaução e permaneceram nas ruas diante do receio de novos tremores.
Em Cali, terceira maior cidade colombiana, a situação se tornou especialmente delicada devido à grande procura por atendimento médico. Até o momento, foram contabilizadas 26 mortes e 456 pessoas feridas na cidade. Com os hospitais operando no limite, quatro grandes unidades precisaram ser evacuadas depois de apresentarem danos provocados pelo terremoto. O Hospital Universitario del Valle Evaristo García, um dos principais centros de atendimento de alta complexidade da região, teve uma parte de sua estrutura afetada e precisou reorganizar os serviços. Pacientes e atendimentos foram transferidos para espaços provisórios montados em áreas externas do complexo, enquanto profissionais de saúde trabalhavam para manter o atendimento essencial.
Outras unidades de saúde de Cali também apresentaram problemas estruturais, aumentando a pressão sobre a rede hospitalar em um momento de grande demanda. Entre os locais afetados estão a Clínica Nuestra Cali, a Clínica Dessa e a Clínica Colombia. Para ampliar a capacidade de atendimento aos pacientes que chegam das regiões atingidas, autoridades determinaram a suspensão temporária de cirurgias eletivas, consultas ambulatoriais e procedimentos que não sejam considerados urgentes. A medida tem como objetivo liberar profissionais, equipamentos e leitos para os casos relacionados ao terremoto. Enquanto isso, equipes de resgate seguem atuando em diferentes pontos da cidade, inclusive em locais onde há suspeita de pessoas que ainda possam ser encontradas.
Diante da situação excepcional, o governo colombiano declarou estado de emergência em todo o país. O presidente Abelardo de la Espriella, que havia assumido o cargo poucos dias antes do terremoto, anunciou a mobilização de diferentes estruturas do governo para atender as comunidades atingidas. Em Cali, as autoridades determinaram restrições temporárias à circulação e ampliaram a presença de forças de segurança nas ruas. A medida busca facilitar o deslocamento das equipes de emergência, organizar o acesso às regiões afetadas e reduzir problemas durante o período de maior instabilidade. As autoridades também trabalham para avaliar os danos em estradas, aeroportos, escolas, hospitais e demais serviços considerados essenciais.
Enquanto o segundo dia de buscas avança, o cenário ainda pode sofrer alterações à medida que equipes conseguem acessar áreas que permanecem isoladas ou com estruturas comprometidas. A prioridade continua sendo localizar pessoas desaparecidas, prestar atendimento aos feridos e garantir assistência às famílias que precisaram deixar suas residências. O terremoto de magnitude 7,4 provocou uma mobilização nacional e colocou diferentes setores públicos diante de uma operação de grandes proporções. Em meio aos esforços de reconstrução, a população acompanha as atualizações sobre vítimas, danos materiais e funcionamento dos serviços essenciais, enquanto as autoridades tentam restabelecer a rotina nas cidades mais afetadas.



