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Sem poder pedir voto, Lula usa evento para exaltar Haddad, Marina e Tebet

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou neste sábado (8) de um evento em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, em comemoração aos 30 anos do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Durante o discurso, Lula destacou antigos integrantes de seu governo que atualmente estão envolvidos nas eleições de 2026 e fez elogios a Fernando Haddad (PT), Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB).

Os três políticos são candidatos por São Paulo. Haddad disputa o governo do estado, enquanto Marina Silva e Simone Tebet concorrem a vagas no Senado. Ao iniciar sua fala, Lula cumprimentou os três e afirmou que o trabalho realizado por eles durante sua gestão contribuiu para a aprovação de projetos e para os resultados que classificou como uma recuperação econômica do país.

Ao comentar a trajetória de Haddad, Lula afirmou que o petista foi o “maior ministro da Educação do Brasil”. O presidente também destacou a passagem de Haddad pelo Ministério da Fazenda e citou, entre os resultados atribuídos à sua gestão, a aprovação da reforma tributária, a redução do desemprego e a queda da inflação.

Lula também dedicou parte do discurso a Marina Silva, destacando os dados mais recentes relacionados à redução dos alertas de desmatamento na Amazônia. O presidente afirmou que pretende preparar os números e encaminhá-los ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A intenção de Lula ocorre em meio ao aumento das tensões entre Brasil e Estados Unidos. O governo norte-americano citou, entre outros fatores, questões relacionadas ao desmatamento ilegal ao justificar a adoção de novas tarifas sobre produtos brasileiros. O governo brasileiro contesta a avaliação feita pelos Estados Unidos e considera as medidas injustificadas.

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a área sob alertas de desmatamento na Amazônia entre agosto de 2025 e julho de 2026 foi de 2.874,38 quilômetros quadrados. O resultado representa uma redução de 36% em relação ao período anterior e é o menor da série histórica iniciada em 2016.

Durante o evento, Lula também ressaltou a atuação de Simone Tebet e afirmou que os três ex-integrantes de seu governo tiveram participação importante em iniciativas implementadas durante sua administração. Os elogios ocorrem em um momento de intensificação da movimentação política para as eleições de 2026.

Apesar das referências aos candidatos, Lula ainda não pode fazer pedidos explícitos de voto. De acordo com o calendário eleitoral, a propaganda eleitoral e a possibilidade de pedir votos começam oficialmente em 16 de agosto. O prazo para registro das candidaturas termina às 19h do dia 15.

A participação de Lula em eventos públicos também ocorre após uma decisão da Justiça Eleitoral envolvendo sua atuação em favor de candidaturas em São Paulo. No fim de julho, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) condenou o presidente ao pagamento de multa de R$ 15 mil por propaganda eleitoral antecipada. A decisão está relacionada a um evento realizado em maio, quando Lula teria pedido votos para Simone Tebet e Marina Silva. O caso ainda cabe recurso.

A agenda do presidente em Taboão da Serra faz parte de uma sequência de compromissos realizados em São Paulo nas últimas semanas. O estado tem recebido atenção especial de Lula durante o período que antecede oficialmente o início da campanha eleitoral.

O presidente tem previsto para 16 de agosto um ato de lançamento de sua campanha em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. O evento deverá ocorrer no estádio 1º de Maio, na Vila Euclides, local historicamente associado à trajetória sindical de Lula durante as greves dos metalúrgicos no fim dos anos 1970.

Na sexta-feira (7), Lula também esteve na sede do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, onde foram apresentados dados sobre a redução dos alertas de desmatamento.

Com a aproximação do início oficial da campanha, Lula tem ampliado os compromissos públicos no estado e reforçado a presença de aliados e antigos integrantes de seu governo em seus discursos. A estratégia ocorre às vésperas da abertura do período de propaganda eleitoral e da disputa pelos cargos estaduais e federais em 2026.

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