Haddad critica escolha de vice de Flávio Bolsonaro e chama Alfredo Gaspar de pouco qualificado

Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo, criticou nesta quinta-feira a escolha do deputado federal Alfredo Gaspar como vice na chapa de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Em entrevista a jornalistas durante agenda no Vale do Ribeira, o petista classificou a indicação como uma das piores que poderia imaginar e afirmou que o escolhido é pouco qualificado para o cargo.
O anúncio oficial do nome de Gaspar ocorreu na quarta-feira, último dia do prazo para as convenções partidárias. Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro e candidato do PL, apresentou o parlamentar alagoano em evento em Brasília. A chapa ficou restrita ao próprio partido após o PL não conseguir formalizar coligações com outras legendas. Gaspar, de 55 anos, é deputado federal em primeiro mandato, eleito em 2022. Antes da vida parlamentar, atuou como promotor de Justiça, foi procurador-geral de Justiça de Alagoas e ocupou a Secretaria de Segurança Pública do estado.
Haddad comparou a trajetória do indicado com a de Geraldo Alckmin, atual vice-presidente e candidato à reeleição ao lado de Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o petista, Alckmin acumulou décadas de experiência em cargos eletivos e executivos, incluindo quatro mandatos como governador de São Paulo, passagens pela Câmara e pelo Senado e a função de ministro. “De um lado você tem alguém com 50 anos de vida pública. Do outro, não dá nem para comparar”, declarou Haddad.
A escolha de Gaspar surpreendeu parte do cenário político. Durante a pré-campanha, Flávio Bolsonaro havia sinalizado preferência por uma mulher na composição da chapa, com o objetivo de ampliar o apelo junto ao eleitorado feminino. Nomes de outros partidos chegaram a ser cotados, mas as lideranças de legendas do Centrão optaram pela neutralidade na disputa presidencial. Com isso, o PL recorreu a uma solução interna. Gaspar havia se filiado ao partido meses antes e chegou a ser confirmado como pré-candidato ao Senado por Alagoas pouco antes da indicação à vice.
O deputado alagoano ganhou projeção nacional como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, instalada para investigar irregularidades em descontos e benefícios previdenciários. Seu relatório pediu o indiciamento de dezenas de pessoas e gerou desgaste para o governo federal, embora tenha sido rejeitado pela maioria da comissão. Na apresentação da chapa, Flávio destacou a origem nordestina de Gaspar e sua experiência na área de segurança pública, afirmando que o companheiro de chapa representa combatividade e honestidade.
A crítica de Haddad se encaixa no contexto de polarização que marca a disputa de 2026. O petista, que disputa o governo paulista, tem usado declarações públicas para atacar o campo bolsonarista e reforçar a imagem de solidez da chapa do PT no plano nacional. Flávio Bolsonaro, por sua vez, enfrenta o desafio de consolidar apoio após a ausência do pai, Jair Bolsonaro, que se encontra impedido de concorrer. A formação de uma chapa pura do PL reduz o tempo de televisão e as possibilidades de articulações amplas, o que analistas consideram um fator de isolamento relativo.
Gaspar assumiu o posto em meio a uma corrida contra o tempo. Relatos indicam que a definição ocorreu nas últimas horas antes do anúncio, depois que outras opções internas e externas não prosperaram. O próprio Flávio reconheceu, em live realizada no dia seguinte, que a escolha foi feita em cima da hora e que as tentativas de atrair nomes de fora do partido esbarraram na posição das cúpulas partidárias.
O episódio ilustra as dificuldades de montagem de chapas em um ambiente de fragmentação política. Enquanto a chapa de Lula e Alckmin reúne partidos de esquerda e centro-esquerda, a de Flávio e Gaspar parte de uma base mais restrita. Haddad aproveitou o momento para contrastar as duas composições e questionar a preparação do adversário para o cargo de vice-presidente.
As declarações do candidato petista repercutiram nas redes e nos noticiários. A polarização tende a se intensificar nas próximas semanas, com o início oficial da campanha eleitoral. Gaspar, agora candidato a vice, deverá concentrar-se em temas de segurança e combate a irregularidades, áreas em que construiu sua imagem pública. Haddad, por sua vez, segue reforçando a narrativa de experiência e estabilidade em suas aparições em São Paulo.
O contraste entre as duas chapas já se tornou um dos eixos do debate político. De um lado, a defesa da trajetória consolidada. Do outro, a aposta em nomes identificados com o combate a problemas específicos, como fraudes previdenciárias e segurança. O eleitorado terá a palavra final nas urnas de outubro.



