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‘Lula vive um efeito Biden’, diz cientista política americana sobre desânimo do eleitorado brasileiro por conta de acertos

A cientista política americana Wendy Hunter, especialista em política brasileira e no PT, afirmou em entrevista à BBC News Brasil que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega às eleições de 2026 enfrentando um cenário semelhante ao vivido por Joe Biden antes de deixar a Casa Branca. Segundo ela, embora os indicadores econômicos não sejam negativos, existe um sentimento generalizado de desânimo entre parte do eleitorado, o que reduz o entusiasmo em torno da candidatura de Lula.

Hunter destaca que uma das mudanças mais importantes no Brasil é a transformação geracional. Na avaliação da pesquisadora, os jovens deixaram de enxergar o PT como um partido renovador e passaram a valorizar mais autonomia, empreendedorismo e formas flexíveis de trabalho do que empregos tradicionais com carteira assinada. Para ela, muitos analistas ainda não compreenderam essa mudança de comportamento, que influencia diretamente as preferências eleitorais.

Sobre a disputa presidencial, a cientista política considera improvável o surgimento de uma terceira via competitiva. Ela avalia que Lula e Flávio Bolsonaro concentram a maior parte das intenções de voto, tornando difícil que outros candidatos consigam espaço suficiente para chegar ao segundo turno.

Ao analisar o perfil político de Lula, Hunter afirma que o presidente é mais pragmático do que ideológico. Segundo ela, sua prioridade sempre esteve em programas voltados para questões econômicas e sociais, como combate à pobreza e renegociação de dívidas, e não em pautas consideradas mais identitárias. Ainda assim, ela critica o apoio histórico de Lula a líderes como Nicolás Maduro e Hugo Chávez, argumentando que essa postura transmite a imagem de um partido preso a referências políticas do passado.

A pesquisadora também acredita que o PT enfrentará dificuldades quando Lula deixar a vida política. Na sua visão, o partido possui poucas lideranças nacionais capazes de substituir o presidente, sendo Fernando Haddad o nome mais evidente, embora com limitações para ampliar seu eleitorado. Em relação a Flávio Bolsonaro, Hunter considera que ele demonstra um perfil menos radical do que o do pai, mas afirma que episódios recentes levantam dúvidas sobre sua capacidade de julgamento.

Entre outros temas, Wendy Hunter afirma que a segurança pública deve ganhar mais espaço na campanha de Lula, principalmente diante da preocupação da população com o avanço da criminalidade. Ela também defende que políticas sociais ajudaram a reduzir a pobreza, mas ressalta que a principal ferramenta para diminuir a desigualdade continua sendo uma educação de maior qualidade. Por fim, avalia que as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump ao Brasil podem acabar favorecendo Lula politicamente devido à associação da família Bolsonaro com o governo americano. Apesar do chamado “efeito Biden”, Hunter acredita que Lula continua tendo condições de vencer a eleição, embora sem o entusiasmo observado em campanhas anteriores.

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