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Novo inquérito contra Lulinha é autorizado por André Mendonça

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou a abertura de um segundo inquérito para investigar o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A nova apuração atende a um pedido da Polícia Federal (PF), que busca esclarecer suspeitas de tráfico de influência em negociações envolvendo órgãos da administração pública federal.

Segundo as investigações, o novo procedimento tem relação com elementos encontrados durante a Operação Sem Desconto, que apura um esquema de fraudes envolvendo descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ao analisar documentos, mensagens e demais provas reunidas ao longo da investigação, a Polícia Federal identificou fatos que justificaram a abertura de uma nova frente de apuração.

O foco desse segundo inquérito está na relação entre Lulinha e o empresário Cleber Ribas de Oliveira, sócio da empresa 3STRUCTURE IT. De acordo com a PF, a companhia teria buscado ampliar sua atuação junto à Dataprev, empresa pública responsável pelo processamento de dados da Previdência Social, além de outros órgãos ligados ao governo federal.

Os investigadores apuram se houve eventual utilização de influência política para facilitar contatos ou favorecer interesses empresariais em contratos públicos. Entre os elementos analisados está uma viagem realizada em dezembro de 2024 para Foz do Iguaçu. Conforme informações reunidas pela investigação, Lulinha e Cleber Ribas teriam utilizado a mesma reserva de viagem, circunstância que levou a Polícia Federal a apurar se despesas foram custeadas pelo empresário e se houve alguma contrapartida relacionada a interesses comerciais.

A PF também investiga possíveis conexões entre Cleber Ribas, o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e a empresária Roberta Luchsinger. Conforme a investigação, mensagens obtidas durante a apuração fazem referência a negociações envolvendo a Dataprev e possíveis contatos relacionados à busca de contratos com órgãos públicos. Esses elementos passaram a integrar o conjunto de provas que fundamentou o pedido de abertura do novo inquérito.

Além desse procedimento, a Polícia Federal já solicitou a instauração de um terceiro inquérito para aprofundar outras suspeitas envolvendo o filho do presidente. Esse novo pedido ainda aguarda distribuição no Supremo Tribunal Federal. Embora os processos tenham sido submetidos ao sistema eletrônico de distribuição da Corte, André Mendonça voltou a ser escolhido como relator do caso.

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva afirmou que acompanha o andamento das investigações com tranquilidade. O advogado Marco Aurélio de Carvalho declarou que, até o momento, não teve acesso aos detalhes do novo inquérito, mas ressaltou que a defesa permanece à disposição para prestar os esclarecimentos necessários e contestar eventuais acusações durante o andamento do processo.

Nos últimos dias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou publicamente as investigações envolvendo o filho. Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., o chefe do Executivo afirmou que não pretende utilizar o cargo para interferir no trabalho das autoridades. Lula declarou que, caso o filho seja inocente, terá oportunidade de provar sua defesa. Por outro lado, afirmou que, “se for culpado, ele vai ter que pagar como todo mundo”, ressaltando que não haverá tratamento diferenciado em razão do vínculo familiar.

As investigações seguem em fase inicial e têm como objetivo verificar se há elementos suficientes para caracterizar eventual prática de tráfico de influência ou outros crimes relacionados à atuação de pessoas próximas ao governo em negociações com órgãos públicos. Até o momento, a abertura do inquérito representa apenas o início da apuração e não significa reconhecimento de culpa por parte dos investigados. A Polícia Federal continuará reunindo documentos, depoimentos e demais provas para subsidiar a conclusão das investigações, que posteriormente poderão ser analisadas pelo Ministério Público e pelo Supremo Tribunal Federal.

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