Geral

Kassio manda Meta preservar dados de perfis que atacaram Flávio

Uma decisão crucial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acendeu o sinal de alerta no ambiente político e no ecossistema das redes sociais em pleno ano eleitoral. O ministro Kassio Nunes Marques, presidente da Corte, determinou que a multinacional Meta — empresa responsável pelo gerenciamento de plataformas como WhatsApp, Facebook e Instagram — armazene e preserve integralmente todos os registros, logs e dados associados a perfis acusados de promover ações coordenadas de desgaste contra o pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL). A determinação judicial, assinada sob regime de sigilo na última sexta-feira, atendeu a um pedido formal encaminhado pelo Partido Liberal (PL), que apontou indícios de uma operação financeira atípica para interferir na visibilidade do pleito majoritário no ambiente digital.

 

A representação apresentada pela equipe jurídica da campanha do parlamentar levou à Suprema Corte Eleitoral uma série de relatórios que evidenciam movimentações financeiras fora dos padrões convencionais de propaganda na internet. Segundo os documentos anexados ao processo, contas recém-criadas e com baixíssimo apelo orgânico — reunindo entre 20 e 30 seguidores — teriam aportado quantias individuais astronômicas, estimadas em aproximadamente R$ 200 mil por perfil, no impulsionamento patrocinado de conteúdos direcionados contra o filho do ex-presidente. Os advogados da legenda sustentam que a magnitude desses investimentos em páginas sem relevância prévia configura um expediente inédito na história recente do marketing político do país, revelando ainda que parte desses pagamentos foi efetuada em diferentes moedas estrangeiras, como dólares e pesos colombianos.

 

O padrão atípico das contratações foi identificado originalmente em fevereiro durante o monitoramento de rotina realizado pela equipe técnica de comunicação da candidatura nas ferramentas de transparência das plataformas. Em declarações prestadas à imprensa no dia 20 de julho, a advogada Maria Claudia Bucchianeri detalhou que a constatação casual do gasto expressivo por contas irrelevantes disparou o alerta máximo sobre o risco de interferência externa ou uso ilícito de recursos na corrida eleitoral. A investigação interna realizada pelo partido identificou um grupo estruturado de perfis com atuação passageira, desenhados especificamente para atuar como veículos de distribuição monetizada de críticas e ataques, burlando os mecanismos tradicionais de engajamento e alcance do eleitorado nacional.

 

Na petição encaminhada ao presidente do TSE, a defesa do pré-candidato classificou o esquema como uma verdadeira estrutura paralela de disseminação digital alimentada por contas não identificadas. De acordo com o levantamento detalhado apresentado à Justiça Eleitoral, os peritos da campanha identificaram 51 páginas ativas com as mesmas características operacionais ao longo dos últimos meses. Juntas, essas contas efêmeras teriam veiculado mais de 4.600 anúncios pagos entre março e junho de 2026, gerando um volume expressivo de mais de 250 milhões de visualizações na internet. O montante de exibições e o volume de recursos empregados reforçam as suspeitas de uma estratégia orquestrada para influenciar a opinião pública por meio do uso massivo do poder econômico nas redes sociais.

 

Ao acolher o pedido da legenda e determinar a preservação sumária dos dados de navegação, o ministro Kassio Nunes Marques garantiu que as provas digitais permaneçam resguardadas para eventual auditoria e identificação dos responsáveis financeiros pelas contratações. A medida impede que informações cruciais sobre IP, histórico de pagamentos e dados de cadastro sejam apagadas voluntária ou automaticamente pelas plataformas com o encerramento das veiculações. A decisão do presidente do TSE alinha-se às diretrizes da Justiça Eleitoral voltadas para o combate à desinformação, ao financiamento não declarado e à manipulação de algoritmo, assegurando que o abuso do poder econômico no ambiente cibernético seja devidamente apurado e punido na forma das resoluções vigentes.

 

O desdobramento desse caso deve ditar novos parâmetros para o monitoramento de campanhas eleitorais nas redes sociais e impor maior rigor sobre os critérios de transparência exigidos das grandes corporações de tecnologia no Brasil. A exigência de guardar os registros abre caminho para investigações mais aprofundadas sobre a origem do dinheiro utilizado nas transações internacionais e a eventual identificação de redes organizadas operando nos bastidores da disputa ao Planalto. À medida que os dados forem preservados e analisados pelos peritos do tribunal, a decisão da Corte Eleitoral reforça o compromisso das instituições republicanas em proteger a integridade do processo democrático e assegurar a igualdade de condições entre todas as candidaturas que disputam o voto popular.

Mostrar mais

LEIA TAMBÉM: