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Após 40 anos m0rre Lucimar das Neves, irmão de Leide, mais uma vítima da tragédia com o Césio-137 em Goiás

Lucimar das Neves Ferreira, irmão de Leide das Neves, uma das principais vítimas do acidente com o Césio-137 em Goiânia, morreu neste sábado (25). A informação foi confirmada pela família. Ele foi encontrado sem vida na Cidade Satélite, em Aparecida de Goiânia, mas a causa da morte não foi divulgada até o momento. Lucimar tinha 14 anos quando também foi atingido pela contaminação provocada pelo maior acidente radiológico ocorrido fora de uma usina nuclear. O velório acontece na manhã deste domingo (26), em Abadia de Goiás, e o sepultamento está previsto para as 10h. A notícia provocou grande comoção entre familiares, amigos e integrantes da Associação das Vítimas do Césio-137, que acompanharam de perto a história da família ao longo de quase quatro décadas.

A mãe de Lucimar, Lourdes das Neves, voltou a enfrentar mais um momento de profunda dor. Ela ficou conhecida nacionalmente por perder a filha Leide das Neves, que se tornou o principal símbolo da tragédia ocorrida em 1987. Desde então, Lourdes passou a conviver com as consequências emocionais e sociais deixadas pelo acidente radiológico. Agora, com a morte do filho, familiares e pessoas próximas prestaram solidariedade à mãe, que revive mais uma perda marcante em sua trajetória. A notícia despertou manifestações de apoio nas redes sociais e entre pessoas que acompanham a luta das vítimas do Césio-137 por reconhecimento e assistência.

O presidente da Associação das Vítimas do Césio-137, Marcelo Santos Neves, lamentou a morte de Lucimar e destacou que o falecimento faz renascer lembranças difíceis do acidente que marcou a história de Goiás. Segundo ele, a família enfrenta novamente um período de sofrimento intenso. Marcelo recordou que conhecia Lucimar desde a época da contaminação e relembrou momentos da infância do amigo, contando que costumava levá-lo para sua casa durante os dias de maior confusão provocados pela tragédia. Para ele, este é um momento em que a família precisa receber apoio e acolhimento diante de mais uma perda irreparável.

O acidente com o Césio-137 ocorreu em 13 de setembro de 1987, quando dois catadores retiraram um aparelho de radioterapia abandonado de uma antiga clínica em Goiânia. Sem saber do risco, eles desmontaram o equipamento e venderam parte dele para um ferro-velho. Dentro do aparelho havia uma cápsula contendo Césio-137, uma substância altamente radioativa. O material chamou a atenção pelo brilho azulado que emitia durante a noite, levando diversas pessoas a manuseá-lo e até distribuí-lo entre parentes e amigos. A contaminação espalhou-se rapidamente e atingiu centenas de moradores da capital goiana.

As consequências da tragédia foram devastadoras. Quatro pessoas morreram diretamente em decorrência da exposição à radiação, enquanto mais de mil moradores passaram por exames para verificar possíveis níveis de contaminação. Ao todo, 129 pessoas apresentaram radiação no organismo e muitas delas convivem até hoje com problemas físicos, emocionais e sociais relacionados ao acidente. O episódio entrou para a história como o maior acidente radiológico do mundo ocorrido fora de instalações nucleares e permanece como um importante alerta sobre os riscos envolvendo materiais radioativos e a necessidade de fiscalização adequada desse tipo de equipamento.

Quase quarenta anos após a tragédia, a história das vítimas continua mobilizando a sociedade. A morte de Lucimar das Neves reacende a memória de um dos episódios mais marcantes da história brasileira e reforça a luta das famílias que convivem há décadas com as consequências do acidente. Enquanto amigos e familiares se despedem, homenagens lembram não apenas a trajetória de Lucimar, mas também a resistência daqueles que seguem preservando a memória das vítimas do Césio-137 e buscando apoio para que histórias como essa jamais sejam esquecidas.

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