Saiba quem era a capitã Michele, da PMMG, morta em Belo Horizonte

A morte da capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), Michele Leão Azevedo, de 41 anos, provocou grande repercussão em Minas Gerais e chamou a atenção pela trajetória profissional construída ao longo de mais de uma década na corporação. O caso, que está sendo investigado pela Polícia Civil, ganhou novos desdobramentos após a prisão preventiva do companheiro da oficial, o 3º sargento da PMMG Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos.
Antes de ocupar espaço nas manchetes por causa da investigação, Michele era reconhecida por sua dedicação à formação acadêmica e ao aperfeiçoamento profissional. Ela estudou em colégios militares de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro, seguindo uma carreira voltada para a segurança pública desde muito jovem.
Em 2010, concluiu o bacharelado em Ciências Militares pela Polícia Militar de Minas Gerais. Depois disso, continuou investindo na própria qualificação, participando de cursos voltados à defesa, segurança pública e direitos humanos. Entre eles, concluiu a formação complementar de Multiplicador de Direitos Humanos, oferecida pela própria PMMG.
A oficial também buscou ampliar seus conhecimentos na área da educação. Ela fez especialização em Docência do Ensino Superior pelo Instituto Federal do Sul de Minas (IFSULDEMINAS). Seu trabalho de conclusão abordou um tema relevante para a atividade policial: “A importância do estudo da jurisprudência dos Tribunais Superiores na PMMG”, destacando a necessidade de atualização constante dos profissionais da área.
Além da carreira militar, Michele era mãe de um filho de um relacionamento anterior, aspecto lembrado por pessoas próximas após a divulgação da notícia.
O caso passou a ser investigado depois que o sargento Eduardo Abner levou Michele ao Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, na noite de segunda-feira (20). Segundo informações registradas no boletim de ocorrência, ela já chegou sem vida à unidade de saúde.
Em depoimento à polícia, o sargento apresentou sua versão sobre os acontecimentos. Ele afirmou que o casal havia realizado uma confraternização na residência com amigos e relatou que ambos consumiram bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy durante o encontro.
Ainda segundo o relato prestado por ele, após a saída dos convidados, os dois permaneceram em casa e, horas depois, Michele teria sofrido uma queda na escada da residência. O militar disse que prestou os primeiros cuidados, controlou o sangramento e a colocou para descansar. Conforme sua versão, a capitã teria recusado atendimento médico naquele momento.
Ele declarou ainda que ambos dormiram durante a tarde e que, apenas à noite, percebeu que Michele não respondia aos chamados, decidindo levá-la ao hospital.
Durante o atendimento da ocorrência, conforme informou a Polícia Militar, Eduardo teria descartado uma caixa contendo comprimidos de ecstasy enquanto conversava com os policiais, fato registrado pelos investigadores.
Já a Polícia Civil de Minas Gerais informou que um dos elementos considerados para a prisão em flagrante foi a existência de uma lesão aparente considerada significativa na face da capitã. A partir desse conjunto inicial de informações, a investigação foi direcionada para a apuração do caso, que agora segue sob responsabilidade da Delegacia Especializada.
As autoridades ressaltam que exames periciais, laudos e outros procedimentos ainda serão fundamentais para esclarecer as circunstâncias da morte e confirmar a dinâmica dos fatos.
A defesa do sargento é representada pelo advogado Gustavo Nepomuceno. Em nota, ele afirmou confiar no devido processo legal, na imparcialidade das investigações e informou que a manifestação ocorrerá no momento oportuno, dentro dos autos do processo, preservando o direito de defesa e o sigilo necessário ao andamento da apuração.
Enquanto o inquérito prossegue, familiares, colegas de profissão e a sociedade aguardam a conclusão das investigações para que todos os fatos sejam esclarecidos pelas autoridades competentes.



