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Maquiadora que sobreviveu a tentativa de feminicídio perde a vida após acidente doméstico

A maquiadora e cabeleireira Valdene de Souza Silva, conhecida como Val Maquiadora, morreu após sofrer um acidente doméstico em João Alfredo, no Agreste de Pernambuco. Segundo informações divulgadas por familiares e pela imprensa local, ela caiu de uma escada em sua residência e não resistiu aos ferimentos. A morte causou grande comoção entre moradores da cidade, principalmente porque Val havia ficado conhecida por sobreviver a uma grave tentativa de feminicídio ocorrida em 2024.

O velório foi realizado na Real Funerária, localizada na antiga Rua da Cadeia, em João Alfredo. O sepultamento aconteceu na manhã de segunda-feira (20), no Cemitério de São José, reunindo familiares, amigos, clientes e moradores que prestaram as últimas homenagens. Nas redes sociais, diversas mensagens de carinho e despedida destacaram a força, a determinação e o talento da profissional, que era bastante conhecida na região pelo trabalho na área da beleza.

Valdene ganhou repercussão em julho de 2024 após ser vítima de uma tentativa de feminicídio dentro do próprio salão de beleza. Na ocasião, ela foi atingida por um disparo de arma de fogo na cabeça durante um episódio que chocou a população local. O principal suspeito era o ex-companheiro, José Renan Pereira Chaves, de 31 anos, conhecido na cidade como “Renan do Gás”. Horas após o crime, ele foi encontrado morto no mesmo local, também com marcas de tiros.

As investigações conduzidas pela Polícia Civil apontaram, na época, a hipótese de que o comerciante teria atirado contra a ex-companheira e, em seguida, tirado a própria vida. O caso ficou sob responsabilidade da Delegacia de João Alfredo, que reuniu depoimentos, perícias e outras provas para esclarecer a dinâmica dos acontecimentos. O episódio chamou atenção por reforçar o debate sobre a violência contra a mulher e os casos de feminicídio registrados em Pernambuco.

Após ser baleada, Valdene foi socorrida em estado grave e encaminhada ao Hospital da Restauração, no Recife, onde passou por uma delicada cirurgia. O período de recuperação foi longo e exigiu acompanhamento médico intensivo, mas ela conseguiu sobreviver ao atentado e, gradualmente, retomou parte de suas atividades profissionais. A história de superação inspirou clientes e seguidores, que acompanharam sua recuperação pelas redes sociais.

Com aproximadamente 25 mil seguidores em seus perfis digitais, Valdene compartilhava conteúdos sobre maquiagem, penteados, cursos de aperfeiçoamento e dicas de beleza. Especializada na produção de noivas, formandas e eventos especiais, ela conquistou reconhecimento pelo talento e pela dedicação à profissão. Além da carreira consolidada, era mãe de uma menina, frequentemente citada por amigos como sua maior motivação para enfrentar os desafios após o atentado.

Segundo relatos divulgados na época da tentativa de feminicídio, Valdene e José Renan mantiveram um relacionamento de cerca de três anos, marcado por separações e reconciliações. O comerciante também era pai de um filho de um relacionamento anterior. As circunstâncias do crime provocaram ampla repercussão na cidade e despertaram discussões sobre a importância da prevenção à violência doméstica e da proteção às mulheres em situação de risco.

A morte de Valdene encerra uma trajetória marcada por coragem e superação. Depois de vencer uma tentativa de feminicídio que mobilizou Pernambuco, ela reconstruía sua rotina e seguia dedicada à família e ao trabalho. O falecimento inesperado em decorrência de um acidente doméstico deixou familiares, amigos e clientes profundamente abalados. Nas redes sociais, centenas de homenagens ressaltaram sua alegria, seu profissionalismo e a inspiração que representou para muitas pessoas, reforçando o legado deixado por sua história de resistência e perseverança.

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