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Trump se nega a dar uma resposta ao governo Lula sobre tarifas altas dos EUA

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia uma semana considerada decisiva nas negociações com os Estados Unidos para tentar evitar a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros. A expectativa é que a administração do presidente Donald Trump anuncie até a próxima quarta-feira (15) a decisão final sobre a investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), responsável por analisar supostas práticas comerciais consideradas desleais por parte do Brasil.

Apesar de manter o diálogo com autoridades norte-americanas, integrantes do Palácio do Planalto avaliam que as chances de reverter completamente a medida são reduzidas. O entendimento do governo brasileiro é de que os argumentos técnicos apresentados ao longo das negociações dificilmente serão suficientes para convencer Washington a desistir da sobretaxa.

Na última sexta-feira, Lula reuniu-se com os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, para discutir os cenários possíveis antes da decisão dos Estados Unidos. Durante o encontro, foram avaliadas estratégias tanto para uma eventual confirmação das tarifas quanto para as possíveis respostas brasileiras.

O cenário considerado mais provável pelo governo é o de que as tarifas sejam efetivamente aplicadas, restando apenas definir quais produtos serão atingidos e qual será o percentual definitivo da taxação. Em junho, a investigação do USTR recomendou a imposição de uma tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos.

A investigação foi aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Entre os pontos analisados pelos norte-americanos estão questões relacionadas ao sistema de pagamentos Pix, combate ao desmatamento ilegal, proteção à propriedade intelectual, comércio digital, tarifas preferenciais e medidas anticorrupção.

Como parte das negociações, o governo brasileiro apresentou aos Estados Unidos um documento com propostas para ampliar mecanismos de controle nas áreas questionadas. O objetivo foi demonstrar que o Brasil está disposto a fortalecer políticas já existentes e implementar novas medidas capazes de responder às preocupações levantadas pela investigação.

Segundo integrantes da equipe econômica brasileira, o chamado “mapa do caminho” inclui compromissos para reforçar ações em áreas como proteção à propriedade intelectual, fiscalização ambiental, combate à corrupção, comércio digital e etanol. Entretanto, o governo considera o Pix um tema inegociável e decidiu não incluir mudanças envolvendo o sistema de pagamentos nas propostas encaminhadas aos norte-americanos.

Mesmo com essas iniciativas, o chefe do USTR, Jamieson Greer, afirmou recentemente que ainda existe uma grande distância entre as posições dos dois países. Segundo ele, as negociações continuam, mas a decisão final deverá ser anunciada em breve.

Antes da divulgação do resultado, representantes brasileiros e norte-americanos ainda devem realizar uma nova rodada de conversas na tentativa de encontrar algum entendimento. Ainda assim, integrantes do governo brasileiro demonstram cautela quanto à possibilidade de um acordo.

O Planalto também trabalha com uma segunda hipótese, considerada menos provável. Nesse cenário, o governo Trump poderia optar por adiar a entrada em vigor das tarifas. Segundo avaliações internas, essa possibilidade estaria relacionada ao contexto político brasileiro e ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.

Na semana passada, Flávio participou de uma audiência em Washington e defendeu que o tarifaço fosse adiado, argumentando que a medida poderia favorecer politicamente o presidente Lula nas eleições. A manifestação provocou forte reação do governo brasileiro, que criticou a atuação do parlamentar e afirmou que existe diferença entre fazer oposição ao governo e agir contra os interesses do país.

Independentemente do resultado da decisão norte-americana, o presidente Lula determinou que as negociações sejam mantidas até o anúncio oficial previsto para o dia 15 de julho. Somente após conhecer o posicionamento definitivo dos Estados Unidos é que o governo brasileiro deverá definir quais medidas adotará em resposta ao eventual aumento das tarifas sobre as exportações nacionais.

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