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Bolsonaro apoia candidatura de Michele mesmo após briga com Flávio

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem trabalhado para convencer a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro a disputar uma das vagas ao Senado pelo Distrito Federal nas eleições deste ano. Embora Michelle ainda não tenha confirmado publicamente a intenção de concorrer, pessoas próximas afirmam que Bolsonaro considera sua candidatura estratégica para ampliar a presença de aliados na Casa Legislativa. Segundo interlocutores, a decisão definitiva deverá ser tomada apenas durante as convenções partidárias, previstas para ocorrer entre o fim de julho e o início de agosto. Enquanto isso, Michelle mantém o discurso de que qualquer candidatura dependerá de um “chamado de Deus” e de avaliações feitas ao lado da família e do partido.

A aposta de Bolsonaro na candidatura da esposa faz parte de um plano mais amplo para fortalecer a representação do grupo político no Senado Federal. O ex-presidente avalia que a Casa exerce papel decisivo em temas considerados prioritários para seus aliados, como processos de impeachment de ministros e a análise de indicações ao Supremo Tribunal Federal (STF). Além de incentivar Michelle no Distrito Federal, Bolsonaro também busca ampliar a presença da família e de aliados próximos na disputa eleitoral, incluindo o senador Flávio Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro em diferentes estratégias eleitorais para 2026.

Nos últimos dias, o cenário político no Distrito Federal passou por mudanças após a desistência do ex-governador Ibaneis Rocha de disputar uma vaga ao Senado. A decisão abriu espaço para uma possível composição entre nomes ligados ao Partido Liberal, fortalecendo a possibilidade de uma chapa com Michelle Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis. Mesmo assim, a disputa permanece aberta e reúne outros pré-candidatos de diferentes partidos, entre eles a deputada Erika Kokay, a senadora Leila Barros e o ex-desembargador Sebastião Coelho, que também articulam apoio para a campanha.

Apesar do incentivo recebido do marido, Michelle tem demonstrado cautela antes de oficializar qualquer decisão. A indefinição aumentou após sua saída da presidência do PL Mulher, episódio que ocorreu em meio a um conflito público com o senador Flávio Bolsonaro. A ex-primeira-dama afirmou ter se sentido desrespeitada durante discussões sobre estratégias políticas do partido, especialmente em relação às alianças eleitorais no Ceará. O episódio provocou desgaste dentro da família Bolsonaro e gerou repercussão entre lideranças do PL. Posteriormente, Flávio divulgou uma nota afirmando que não pretendia ofender Michelle e pediu desculpas caso ela tenha se sentido desrespeitada, classificando o desentendimento como superado.

Outro fator considerado por Michelle é a situação de saúde de Jair Bolsonaro. Desde que o ex-presidente passou a cumprir prisão domiciliar, sua rotina exige acompanhamento constante e cuidados médicos, circunstância que, segundo aliados, influencia diretamente a avaliação sobre uma eventual campanha eleitoral. Pessoas próximas afirmam que Michelle teme que compromissos políticos intensos possam afetar a estabilidade do marido ou provocar novos episódios semelhantes aos registrados anteriormente, quando Bolsonaro enfrentou problemas judiciais durante agendas públicas. A ex-primeira-dama também demonstra preocupação com o impacto que uma candidatura teria sobre a dinâmica familiar e sobre a responsabilidade que poderia assumir diante do eleitorado bolsonarista.

Além das questões pessoais, Michelle tem relatado incômodo com ataques recebidos nas redes sociais durante o período de tensão interna no partido. Segundo aliados, ela afirma ter sido alvo de críticas, montagens produzidas com inteligência artificial e mensagens ofensivas que também atingiram familiares. A senadora Damares Alves saiu em defesa da ex-primeira-dama, classificando os ataques como excessivos e lamentando que até membros da família tenham sido envolvidos nas publicações. Mesmo diante desse cenário, Jair Bolsonaro continua defendendo a candidatura da esposa ao Senado, enquanto a decisão final permanece em aberto e deverá ser anunciada somente após as definições oficiais do Partido Liberal.

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