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Líder do PT e Alcolumbre trocam acusações por tramitação da escala 6×1

A discussão sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pretende acabar com a tradicional escala de trabalho 6×1 ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (7). O clima esquentou entre o líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai, e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, após declarações públicas sobre o futuro da proposta.

O principal ponto de divergência é a falta de definição sobre quando a PEC começará a tramitar no Senado. Enquanto parlamentares ligados ao governo defendem rapidez na análise do texto, a presidência da Casa afirma que a decisão seguirá o calendário e os critérios internos do Legislativo, sem interferências externas.

Durante conversa com jornalistas, Pedro Uczai afirmou que o partido dará mais alguns dias para que a proposta avance. Segundo ele, caso a matéria não seja encaminhada para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) até a próxima semana, o PT passará a considerar Davi Alcolumbre um adversário da pauta dos trabalhadores.

A declaração repercutiu rapidamente em Brasília e provocou uma resposta oficial do presidente do Senado. Em nota, Alcolumbre afirmou que não aceitará qualquer tipo de pressão para definir a pauta da Casa. Segundo ele, a Constituição garante ao presidente do Senado a responsabilidade de organizar a tramitação das propostas, sem se submeter a cobranças ou interesses de natureza político-eleitoral.

O presidente do Senado também lembrou que, no início deste mês, participou de uma reunião com representantes do governo federal, parlamentares e centrais sindicais justamente para discutir os próximos passos da PEC. Para ele, esse encontro demonstra que o diálogo permanece aberto e que existe disposição para ouvir todos os setores envolvidos antes de qualquer decisão.

A proposta desperta grande interesse porque altera um dos modelos de jornada mais conhecidos do país. O texto prevê o fim da escala 6×1, substituindo-a pelo sistema 5×2. Além disso, estabelece uma carga semanal de 40 horas, mantendo os salários dos trabalhadores.

A matéria foi aprovada pela Câmara dos Deputados no fim de maio e agora depende do Senado para seguir adiante. No entanto, como o recesso parlamentar está previsto para começar em 17 de julho, cresce a expectativa de que a análise fique para depois desse período, caso não haja uma decisão rápida sobre sua inclusão na pauta.

Nos bastidores, a avaliação é de que o governo gostaria de ver a proposta avançando antes das eleições de outubro. Isso porque a pauta possui forte apelo junto a trabalhadores e sindicatos, que defendem mudanças na jornada de trabalho como forma de ampliar a qualidade de vida e proporcionar mais tempo para descanso e convivência familiar.

Por outro lado, Davi Alcolumbre já manifestou em diferentes ocasiões que não considera adequado acelerar a votação por motivos ligados ao calendário eleitoral. Na visão do senador, propostas de grande impacto precisam ser debatidas com equilíbrio, ouvindo empresários, trabalhadores, especialistas e representantes dos diversos setores da economia.

Enquanto isso, o tema continua mobilizando parlamentares, entidades sindicais e representantes do setor produtivo. A expectativa é que novas conversas ocorram nos próximos dias, principalmente porque o prazo antes do recesso é cada vez mais curto.

Independentemente do desfecho imediato, a PEC sobre o fim da escala 6×1 permanece entre os assuntos mais acompanhados da agenda política nacional. O andamento da proposta nas próximas semanas poderá indicar qual será o ritmo das discussões no Senado e se haverá espaço para um consenso capaz de permitir a continuidade da tramitação ainda neste semestre.
 

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