Polícia descobre novo acidente antes de jovem perder a vida em rope jump

A investigação sobre a morte da jovem Maria Eduarda de Freitas revelou que um menino de 9 anos também sofreu um acidente durante um salto de rope jump realizado pela mesma equipe meses antes da tragédia. O caso ocorreu na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), e passou a integrar as apurações da Polícia Civil, que busca esclarecer se havia um padrão de falhas operacionais nas atividades promovidas pela empresa responsável. O episódio reforçou os questionamentos sobre os protocolos de segurança adotados pelo grupo e ampliou o debate sobre a realização desse tipo de prática por crianças e adolescentes.
De acordo com o depoimento do pai da criança, que prestava serviços informais para a empresa “Entre Cordas”, o acidente aconteceu aproximadamente três meses antes da morte de Maria Eduarda. Segundo o relato, o garoto foi convidado a participar de um salto em um dia sem evento oficial. Durante a atividade, a corda de sustentação teria sido retirada antes da conclusão do movimento pendular, fazendo com que o menino atingisse o solo enquanto ainda estava em deslocamento. O impacto provocou escoriações, principalmente no joelho, além de uma leve batida na cabeça, sem consequências consideradas graves pela família.
O pai explicou que trabalhava eventualmente auxiliando a equipe responsável pelos saltos. Entre suas funções estavam organizar equipamentos, lançar cordas auxiliares, transportar câmeras e dar suporte aos participantes. Após cerca de dois anos convivendo com o grupo, recebeu o convite para que o filho experimentasse a atividade. Apesar do susto, ele optou por não levar a criança ao hospital, já que os ferimentos eram superficiais e puderam ser tratados em casa. Mesmo assim, o episódio passou a ser considerado um importante elemento para as investigações conduzidas pela Polícia Civil.
A empresa responsável pelo salto é administrada por Evelyne dos Santos Gonçalves, de 43 anos, que atualmente está presa em razão da morte de Maria Eduarda. Questionado sobre o acidente envolvendo a criança, o advogado de defesa afirmou que ainda conversaria com sua cliente antes de se manifestar sobre o episódio. Segundo ele, não havia recebido informações detalhadas sobre esse caso específico e a defesa pretende analisar os fatos antes de apresentar qualquer posicionamento oficial.
As investigações também revelaram que um dos instrutores presos costumava divulgar registros de saltos realizados com crianças em suas redes sociais. As imagens mostram menores de idade presos ao corpo do instrutor durante os saltos, utilizando equipamentos de segurança e capacetes. A divulgação desse tipo de conteúdo reacendeu o debate sobre os limites de idade para a prática do rope jump. A Associação Brasileira de Rope Jump e Pêndulo Humano recomenda que menores de 12 anos não realizem esse tipo de atividade. Para adolescentes entre 12 e 18 anos, a entidade orienta que haja autorização formal e presença obrigatória dos responsáveis durante toda a operação.
Enquanto isso, a Polícia Civil concluiu um segundo inquérito relacionado à morte de Maria Eduarda e indiciou Evelyne por homicídio qualificado. Paralelamente, as investigações continuam para localizar a câmera que a jovem utilizava presa ao corpo durante o salto e que desapareceu após o acidente fatal. O equipamento pode conter imagens importantes sobre os instantes que antecederam a queda e é considerado uma das peças-chave para esclarecer completamente a dinâmica dos acontecimentos.
No primeiro inquérito, encerrado anteriormente, três instrutores já haviam sido indiciados por homicídio com dolo eventual, entendimento utilizado quando se considera que os envolvidos assumiram o risco de provocar a morte da vítima. Eles permanecem presos preventivamente após decisão da Justiça, que negou pedidos para responderem ao processo em liberdade. A defesa sustenta que não houve intenção de causar o acidente e discorda da tipificação adotada pela polícia. Com a descoberta do acidente envolvendo o menino de 9 anos, os investigadores reforçam a análise sobre possíveis falhas recorrentes na condução dos saltos, elemento que poderá influenciar o andamento das ações judiciais relacionadas ao caso.



