Um gesto de amor eterno: menino de 11 anos coloca abajur no caixão da mãe

Em Araguaína, no norte do Tocantins, uma tragédia familiar ganhou contornos de profunda emoção. No final de junho, a servidora pública Rosilene da Costa Pimentel, de 41 anos, faleceu após um acidente de motocicleta. O que marcou o adeus, porém, foi o gesto tocante de seu filho caçula, Winnicius Pimentel, de apenas 11 anos, que decidiu colocar um abajur dentro do caixão da mãe durante o sepultamento.
Rosilene perdeu a vida na manhã de 26 de junho, no setor Lago Sul. Segundo relatos de familiares, ela pilotava sua moto quando perdeu o controle e sofreu uma queda violenta. A vítima não resistiu aos ferimentos e morreu no local. A Polícia Civil investiga as circunstâncias do acidente, e a família aguarda respostas sobre as condições da via que podem ter contribuído para a tragédia.
Além da dor da perda repentina, a família enfrentou o desafio de organizar uma despedida que honrasse a memória de Rosilene. Foi nesse momento que Winnicius, demonstrando uma maturidade incomum para sua idade, protagonizou uma cena que emocionou todos os presentes. O menino colocou cuidadosamente um pequeno abajur ao lado do corpo da mãe dentro do caixão. O objeto, aparentemente simples, carregava um significado profundo.
De acordo com a irmã mais velha de Winnicius, Wilainy Pimentel, de 26 anos, a mãe tinha medo de dormir no escuro. Os dois dormiam juntos com frequência, e o abajur representava segurança e conforto para Rosilene. O detalhe mais comovente é que o próprio Winnicius havia comprado o presente com seu dinheiro guardado. A encomenda chegou em casa apenas um dia antes do acidente. Rosilene mal teve tempo de ver o gesto de carinho do filho.
“Ele colocou porque minha mãe tinha medo do escuro. Eles dormiam juntinhos todos os dias. É uma criança muito atenciosa”, contou Wilainy, visivelmente emocionada. Para a família, o ato de Winnicius foi uma forma de garantir que a mãe não ficasse “no escuro” nem mesmo na eternidade. O menino, que viveu a perda de forma intensa, encontrou na lembrança desse presente uma maneira de expressar seu amor.
O acidente de Rosilene ocorreu em um cruzamento da região, e relatos iniciais apontam para a possibilidade de ela ter perdido o controle ao passar por irregularidades na pista. A família, além de lidar com o luto, cobra agilidade nas investigações para que responsabilidades sejam esclarecidas. Rosilene era conhecida na comunidade por seu trabalho dedicado como servidora pública e pelo carinho com os filhos.
Casos como esse revelam a força dos laços familiares e a capacidade das crianças de transformarem dor em gestos de afeto puro. Em meio à comoção nas redes sociais, onde a história se espalhou rapidamente, internautas destacaram a inocência e o amor incondicional de Winnicius. Mensagens de apoio e solidariedade chegaram de diversas partes do país, reforçando o quanto atitudes simples podem eternizar memórias.
Para a família Pimentel, a recuperação é gradual. Wilainy e os irmãos buscam dar suporte emocional ao pequeno Winnicius, que agora enfrenta a ausência diária da mãe. O abajur, que nunca foi aceso em vida por Rosilene, cumpriu seu papel simbólico no momento final de despedida.
Histórias assim nos lembram da fragilidade da vida e da importância de valorizar os pequenos gestos de carinho no dia a dia. Rosilene deixa um legado de dedicação e amor materno, perpetuado pelo gesto inesquecível de seu filho. Em Araguaína, a dor da despedida se mistura à admiração por um amor que transcendeu a partida.



