Caso idosos em BH: Exame toxicológico confirma que vítimas foram dopadas antes de crime

A investigação sobre a morte do advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e da empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, ganhou novos capítulos que podem ser decisivos para esclarecer completamente o caso. A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou importantes avanços nas apurações, incluindo resultados da perícia e novos elementos relacionados à fuga da principal suspeita, a diarista Paola Stefany Neto Cirino. Os desdobramentos reforçam a linha investigativa construída desde a descoberta do casal em um apartamento de alto padrão na Região Centro-Sul de Belo Horizonte e ajudam a reconstruir os acontecimentos que antecederam o crime. Enquanto os investigadores aprofundam a análise das provas, familiares das vítimas aguardam respostas definitivas sobre um episódio que causou grande repercussão em todo o estado.
Um dos principais avanços apontados pela perícia foi a confirmação da presença de clonazepam no organismo das duas vítimas. O medicamento, utilizado no tratamento de ansiedade e outras condições médicas por possuir efeito sedativo, passou a ocupar papel central na investigação. Segundo a Polícia Civil, os exames laboratoriais identificaram vestígios da substância no sangue do casal, informação que reforça uma das hipóteses analisadas desde os primeiros dias da apuração. Além disso, os investigadores conseguiram identificar a placa e o proprietário do veículo que teria transportado Paola Stefany logo após sua saída do edifício, ampliando o conjunto de informações reunidas para reconstruir a movimentação da suspeita depois dos fatos.
De acordo com a Polícia Civil, durante conversa informal com os investigadores, Paola afirmou ter colocado comprimidos de clonazepam no suco servido às vítimas antes do crime. Conforme relatado pelos responsáveis pela investigação, a suspeita declarou ter utilizado quatro comprimidos. No entanto, os peritos acreditam que a quantidade empregada possa ter sido superior à mencionada inicialmente. Os exames técnicos continuam sendo analisados para verificar se a concentração da substância encontrada é compatível com a versão apresentada pela investigada. As autoridades ressaltam que todas as informações prestadas durante o depoimento estão sendo confrontadas com os laudos periciais e demais provas produzidas ao longo do inquérito.
A principal hipótese investigativa é que o medicamento tenha sido utilizado para reduzir a capacidade de reação das vítimas antes da ação criminosa. Segundo a Polícia Civil, a faca utilizada foi encontrada dentro da própria residência do casal e passou por perícia para integrar o conjunto de provas técnicas do processo. Paralelamente, os investigadores avançaram na reconstrução do trajeto realizado por Paola após deixar o apartamento. Conforme a versão apresentada pela suspeita, ela teria saído do edifício e encontrado um motorista de aplicativo que descansava nas proximidades. A investigada afirmou ter oferecido R$ 40 para ser levada até a região central de Belo Horizonte, informação que agora é analisada pelas equipes responsáveis pela apuração.
Para verificar a veracidade desse relato, a Polícia Civil solicitou oficialmente informações às plataformas de transporte por aplicativo. O objetivo é confirmar se houve uma corrida compatível com a narrativa apresentada durante o depoimento, além de identificar horários, trajetos e demais registros eletrônicos que possam contribuir para a reconstrução cronológica dos acontecimentos. Os investigadores também buscam esclarecer se o motorista tinha conhecimento da situação ou se apenas realizou uma viagem comum, sem qualquer ligação com os fatos investigados. Até o momento, não há indicação oficial de envolvimento do condutor, e a apuração segue concentrada na análise das evidências técnicas.
A prisão de Paola Stefany Neto Cirino ocorreu na quinta-feira (2), na cidade de Itabira, após dias de buscas realizadas pelas equipes da Polícia Civil. Segundo os investigadores, ela admitiu ter sido responsável pela morte do casal e também confessou ter retirado diversos objetos de valor do apartamento, entre eles joias, relógios, aparelhos celulares, dinheiro e outros bens. Conforme as informações apresentadas pelas autoridades, parte desse patrimônio teria sido revendida antes da prisão, resultando em um valor aproximado de R$ 59 mil. Agora, a polícia trabalha para localizar todos os objetos mencionados e identificar pessoas que eventualmente tenham adquirido esses bens, contribuindo para o avanço das investigações.
Embora a prisão da principal suspeita represente um importante avanço, a Polícia Civil reforça que o trabalho investigativo continua em andamento. Os próximos passos incluem a conclusão dos laudos periciais, a análise dos registros eletrônicos, a recuperação dos bens subtraídos e a consolidação de todas as provas que integrarão o inquérito policial. Somente após essa etapa será possível apresentar um panorama completo sobre a dinâmica dos fatos e encaminhar o caso à Justiça. Enquanto isso, familiares das vítimas acompanham atentamente o desenrolar das investigações, na expectativa de que todos os detalhes sejam esclarecidos e que o processo transcorra com base nas evidências reunidas pelas autoridades competentes.



