Perícia faz descoberta após morte de idosos e investigação avança

A perícia da Polícia Civil de Minas Gerais confirmou a presença de um medicamento à base de clonazepam no organismo do casal de idosos assassinado dentro do apartamento onde morava, no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O resultado dos exames reforça a principal linha de investigação, que aponta que a diarista suspeita de cometer o crime dopou as vítimas antes de atacá-las com golpes de faca. A análise também indica que a quantidade do sedativo encontrada pode ter sido superior à informada pela investigada durante o depoimento, levantando a hipótese de que ela tenha buscado reduzir ao máximo qualquer possibilidade de reação do casal.
Segundo a investigação, a mulher trabalhava pela primeira vez na residência quando decidiu colocar comprimidos do medicamento em um suco consumido pelos idosos durante o almoço. O advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, começaram a apresentar sinais de sonolência cerca de meia hora depois. Mesmo sob efeito do calmante, o homem ainda demonstrava algum nível de consciência, o que, conforme relato atribuído à suspeita, levou ao início dos ataques. A perícia contabilizou mais de 40 golpes de faca contra o advogado e pelo menos 15 contra a esposa.
Os investigadores afirmam que a dinâmica do crime demonstra planejamento. Após dopar o casal, a suspeita teria aguardado o efeito do medicamento para, então, iniciar o roubo de objetos de valor. Ao perceber que uma das vítimas ainda apresentava sinais de reação, ela pegou uma faca na cozinha e passou a atacar o casal. Depois dos homicídios, recolheu joias, relógios, dinheiro, roupas e outros pertences antes de deixar o apartamento. Parte desses objetos foi vendida poucas horas depois no centro de Belo Horizonte por um valor muito inferior ao estimado pela polícia.
As investigações também avançaram sobre a fuga da diarista. A Polícia Civil conseguiu identificar a placa do veículo que a retirou da região logo após o crime, assim como o proprietário do automóvel. Imagens de câmeras de segurança mostram que o carro permaneceu estacionado nas proximidades do prédio por vários minutos antes da saída da suspeita, circunstância que chamou a atenção dos investigadores. O motorista agora é alvo de apuração para esclarecer se tinha conhecimento do crime ou se apenas realizou o transporte da mulher sem saber o que havia acontecido.
Antes de embarcar no veículo, a suspeita ainda descartou algumas roupas e objetos em uma caçamba de entulho localizada perto do edifício. Entre os materiais encontrados pela perícia estavam peças com manchas de sangue e embalagens de relógios pertencentes às vítimas. Em seguida, ela foi levada até a região central da capital mineira, onde vendeu parte dos bens roubados. Posteriormente, retornou para casa, buscou o filho e iniciou uma nova etapa da fuga, passando por Belo Horizonte antes de seguir para Itabira, onde acabou localizada e presa em um hotel após trabalho de inteligência da Polícia Civil.
Durante os depoimentos prestados aos investigadores, a mulher confessou informalmente a prática do crime e afirmou ter se interessado pelos objetos de valor existentes na residência. Ela também alegou enfrentar problemas de saúde mental e mencionou ter ouvido vozes antes do assassinato, argumento que poderá ser analisado futuramente pela Justiça. No depoimento oficial, entretanto, preferiu permanecer em silêncio em parte dos questionamentos apresentados pela autoridade policial. Sua defesa informou que avalia a documentação médica para decidir se solicitará exame de insanidade mental ao longo do processo.
Com o resultado da perícia toxicológica e a identificação do veículo utilizado na fuga, a Polícia Civil considera que o caso entra em uma nova fase. Agora, além de aprofundar a análise sobre a quantidade de medicamento utilizada para dopar as vítimas, os investigadores buscam esclarecer se outras pessoas participaram da ação criminosa ou contribuíram para a fuga da suspeita. Enquanto isso, ela permanece presa preventivamente e deverá responder por dois crimes de latrocínio, já que, segundo a investigação, as mortes ocorreram durante a execução do roubo ao casal de idosos.



