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Em áudio, empresário alvo de sanções dos EUA diz que está ‘desesperado’ por FBI estar atrás dele

Novos detalhes da investigação da Polícia Federal sobre a fraude milionária contra o Banco BV (antigo Banco Votorantim) revelaram conversas que chamaram a atenção dos investigadores. Áudios extraídos do celular do empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada indicam que ele demonstrava preocupação com o alcance internacional das apurações e acreditava que o caso poderia envolver até mesmo autoridades dos Estados Unidos.

Segundo a investigação, a fraude ocorreu em agosto de 2024 e teria causado um prejuízo superior a R$ 35 milhões. De acordo com a Polícia Federal, parte dos recursos desviados teria sido convertida em criptomoedas e movimentada por meio da empresa Victory Trading, ligada ao empresário. As informações fazem parte de um relatório elaborado após a análise dos aparelhos eletrônicos apreendidos durante as buscas realizadas na residência de Shimada.

Em um dos áudios, gravado poucos dias depois do desvio investigado, o empresário afirma que as autoridades já estariam acompanhando as movimentações financeiras feitas por meio de carteiras digitais de criptomoedas. Na conversa, ele demonstra preocupação ao dizer que o rastreamento poderia alcançar operações realizadas fora do Brasil, mencionando países como Colômbia e Estados Unidos.

Para os investigadores, essas conversas reforçam a linha de apuração que busca entender o destino dos valores desviados e identificar possíveis participantes da operação. O relatório destaca que os diálogos analisados apresentam forte relação com a fraude investigada, embora a própria Polícia Federal ressalte que as diligências ainda não esgotaram todas as possibilidades de investigação.

Outro ponto citado no documento é que Victor Shimada utilizava regularmente grandes quantias em operações envolvendo criptomoedas, especialmente a moeda digital USDT. Segundo a PF, essas movimentações financeiras teriam sido realizadas por meio da plataforma Bitso, informação que também passou a integrar o conjunto de elementos analisados pelos investigadores.

O caso ganhou novos desdobramentos nesta semana. O governo dos Estados Unidos anunciou sanções contra Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontando o empresário como um elo importante em uma suposta rede internacional de lavagem de dinheiro. As autoridades norte-americanas afirmam que ele teria movimentado mais de 30 milhões de dólares em operações investigadas. As medidas ampliaram a repercussão do caso e reforçaram a cooperação internacional em investigações financeiras.

Além da apuração relacionada ao Banco BV, Shimada também responde a outro processo em São Paulo, ligado às investigações sobre movimentações financeiras envolvendo o contrato de patrocínio entre a VaideBet e o Corinthians. Os casos, entretanto, possuem investigações distintas e seguem tramitando de forma independente.

Em nota oficial, o Banco BV informou que identificou movimentações irregulares em seus serviços de Banking as a Service (BaaS) ainda em agosto de 2024. A instituição afirmou que comunicou imediatamente os fatos às autoridades competentes, colaborou com as investigações e atuou como assistente de acusação na ação penal relacionada ao caso.

Já a defesa de Victor Henrique de Oliveira Shimada afirmou que ainda não teve acesso aos documentos oficiais que fundamentaram as sanções anunciadas pelos Estados Unidos.

 Os advogados sustentam que qualquer conclusão neste momento seria precipitada e reiteram que o empresário nega qualquer envolvimento com organização criminosa ou prática de lavagem de dinheiro. Segundo a defesa, a situação será analisada detalhadamente após o acesso integral aos autos e aos documentos apresentados pelas autoridades competentes.
 

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