Celular é achado escondido em livros na cela do ex-vereador Jairinho

Uma fiscalização realizada nesta quarta-feira (1º) no Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, localizado no Complexo de Gericinó, na zona oeste do Rio de Janeiro, resultou na apreensão de um aparelho celular dentro da cela ocupada pelo ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho. O equipamento foi localizado durante uma varredura de rotina promovida por agentes da Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen).
Segundo informações divulgadas pelo órgão, o celular estava escondido entre livros encontrados no interior da cela. A descoberta deu início a uma série de medidas administrativas para esclarecer como o aparelho chegou até o local e se houve participação de outras pessoas na ocorrência.
Após a apreensão, a Seppen informou que a Corregedoria-Geral abrirá um processo disciplinar para investigar tanto a conduta do interno quanto a atuação dos servidores responsáveis pela unidade prisional. Como medida imediata, Jairinho será transferido para uma cela de isolamento enquanto as apurações seguem em andamento.
A secretaria também reforçou, por meio de nota oficial, que mantém ações frequentes de fiscalização em todas as unidades do sistema penitenciário do estado. O objetivo dessas operações é impedir a entrada e a circulação de materiais proibidos, preservando a segurança de servidores, internos e do próprio sistema prisional.
O caso será encaminhado para registro e investigação na 34ª Delegacia de Polícia, em Bangu, que dará continuidade aos procedimentos previstos pela legislação.
A notícia ganhou repercussão por envolver um dos casos criminais de maior impacto dos últimos anos no país. Em junho deste ano, Jairinho foi condenado após o julgamento relacionado à morte do menino Henry Borel. A decisão foi anunciada depois de dez dias de sessões no Tribunal do Júri, encerrando uma das etapas mais importantes do processo judicial.
Os jurados reconheceram a responsabilidade do ex-vereador pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, prática de tortura e coação no curso do processo. A sentença marcou o desfecho de um julgamento acompanhado de perto por veículos de comunicação e pela sociedade.
No mesmo processo, Monique Medeiros, mãe de Henry, teve a acusação de homicídio doloso alterada para homicídio culposo, entendimento aplicado quando não há intenção de provocar a morte. Ela também foi condenada por omissão em relação às agressões sofridas pelo filho.
A localização do celular dentro da unidade prisional reacende o debate sobre os desafios enfrentados pelo sistema penitenciário brasileiro no combate à entrada de objetos proibidos. Apesar do uso de revistas, equipamentos eletrônicos e operações frequentes, episódios como esse mostram que o controle exige monitoramento constante e aperfeiçoamento das medidas de segurança.
Especialistas costumam destacar que aparelhos celulares em estabelecimentos prisionais representam uma preocupação porque podem facilitar comunicações não autorizadas, motivo pelo qual sua posse é proibida pela legislação e pelas normas internas das unidades.
Enquanto as investigações avançam, a expectativa é de que a Corregedoria esclareça as circunstâncias da ocorrência e identifique eventuais responsabilidades. A Seppen informou que continuará intensificando as fiscalizações para reforçar a segurança nas unidades prisionais do estado e evitar novos registros semelhantes.



