Notícia sobre Lula é confirmada

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com rejeição de 47% entre os eleitores brasileiros, segundo levantamento divulgado pelo Poder360 nesta terça-feira, em mais um retrato da forte polarização da corrida presidencial de 2026. O dado coloca o petista entre os nomes com maior resistência do eleitorado e reforça o peso do desgaste acumulado pelo governo em um cenário cada vez mais marcado pela divisão entre lulismo e bolsonarismo. A pesquisa mostra ainda que a rejeição segue como um dos fatores centrais da disputa, já que os dois principais polos políticos do país carregam índices altos de resistência e transformam a eleição em uma batalha de teto e não só de crescimento.
De acordo com o levantamento Datafolha reproduzido pelo Poder360, Lula lidera o ranking de rejeição com 47% dos entrevistados afirmando que não votariam nele “de jeito nenhum”. Logo atrás aparece o senador Flávio Bolsonaro (PL), com 43%, consolidando os dois como os pré-candidatos mais rejeitados entre os nomes testados para a Presidência. Na sequência, a distância já fica grande: Ciro Gomes surge com 20%, Romeu Zema com 15%, Cabo Daciolo com 14% e Ronaldo Caiado com 13%. O retrato mostra que, embora Lula e Flávio concentrem o protagonismo eleitoral, também são os personagens que despertam maior rejeição no eleitorado nacional.
A pesquisa foi realizada pelo Datafolha nos dias 12 e 13 de maio, ouvindo 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 139 municípios do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-00290/2026. O dado ganhou ainda mais repercussão porque foi colhido antes da divulgação do áudio em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, episódio que virou um dos principais focos de desgaste da pré-campanha do senador nas semanas seguintes. Ou seja: o retrato já era ruim antes da bomba estourar de vez no colo do clã Bolsonaro.
O índice de Lula chama atenção porque confirma um padrão que vem aparecendo em diferentes pesquisas ao longo do ano: o petista continua extremamente competitivo, mas carrega uma rejeição elevada e persistente. Em outras palavras, ele segue com musculatura eleitoral, porém também com um teto muito visível. Isso ajuda a explicar por que o presidente ainda lidera ou aparece tecnicamente à frente em vários cenários de primeiro e segundo turno, mas ao mesmo tempo enfrenta dificuldades para ampliar seu espaço entre eleitores mais voláteis. A rejeição funciona como um freio: mantém uma parcela grande do eleitorado vacinada contra qualquer tentativa de reconquista, mesmo quando o governo tenta recuperar popularidade ou mudar o humor da campanha.
No caso de Flávio Bolsonaro, os 43% de rejeição reforçam o tamanho do desafio de herdar o bolsonarismo sem ser Jair Bolsonaro. O senador preserva o apoio do núcleo duro da direita e da base mais fiel ao ex-presidente, mas ainda não conseguiu se blindar da rejeição que acompanha o sobrenome. Pior: ao contrário do pai, Flávio não tem o mesmo magnetismo eleitoral para compensar o desgaste. Isso significa que sua rejeição alta vira um problema ainda mais sério, porque limita o potencial de crescimento em setores fora da bolha bolsonarista. Em campanha, isso é veneno puro: você entra no jogo conhecido, mas sem a mesma capacidade de incendiar a arquibancada.
O ranking também ajuda a entender a dificuldade dos nomes de “terceira via” para se firmarem. Ciro Gomes, com 20%, aparece como o primeiro fora da dupla Lula-Flávio, mas ainda muito distante em projeção e protagonismo. Zema, Caiado, Daciolo e outros testados têm rejeições bem menores, só que isso não significa vantagem automática. Em pesquisa de rejeição, nome menos conhecido costuma apanhar menos simplesmente porque ainda não foi exposto o suficiente. Traduzindo do politiquês: ter rejeição baixa é ótimo, mas só vira trunfo de verdade quando vem acompanhada de intenção de voto, capilaridade e capacidade de ocupar espaço no debate nacional. Sem isso, o índice vira só uma foto simpática e nada mais.
No fim das contas, o levantamento reforça o cenário que vem se desenhando para 2026: uma disputa fortemente polarizada, em que Lula e Flávio concentram a atenção, mas também carregam o maior passivo eleitoral. A rejeição de 47% do petista não o tira do jogo — longe disso —, mas mostra que a campanha não será só sobre convencer quem gosta dele; será também sobre reduzir a resistência de quem já o descartou. E o mesmo vale para Flávio. Em resumo, a eleição caminha para um terreno em que não basta ter base fiel: vai ganhar quem conseguir sangrar menos fora dela.



