Moraes determina depoimento de Bolsonaro em caso de arma apreendida

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que o ex-presidente Jair Bolsonaro seja ouvido presencialmente no inquérito que investiga a apreensão de uma pistola registrada em seu nome. A arma foi encontrada com um agente ligado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) durante uma abordagem policial realizada em Taguatinga, no Distrito Federal.
A decisão foi assinada nesta sexta-feira, 19 de junho, e estabelece que o depoimento aconteça no próximo dia 23, às 15h, na residência onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária, em Brasília. Segundo Moraes, a oitiva deverá ocorrer presencialmente devido às restrições relacionadas ao uso de comunicações eletrônicas impostas ao ex-presidente.
A investigação está sendo conduzida pela 17ª Delegacia de Polícia de Taguatinga Norte, vinculada à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Os investigadores solicitaram autorização ao STF para ouvir Bolsonaro e esclarecer detalhes sobre a circulação da arma, que chamou atenção após ser localizada durante uma blitz de rotina.
O episódio ocorreu na última segunda-feira, quando policiais militares abordaram um veículo no Pistão Norte. Durante a fiscalização, foi encontrada uma pistola registrada em nome de Bolsonaro. O armamento estava com um sargento do Exército identificado como Estácio Leite da Silva Filho, profissional que atua na equipe de segurança ligada ao ex-presidente.
De acordo com informações registradas pela polícia, o militar afirmou que trabalhava para Bolsonaro e informou aos agentes que a arma pertencia ao ex-presidente. Em seu depoimento, ele explicou que havia recebido o equipamento no mesmo dia para verificar uma possível falha mecânica e que pretendia devolvê-lo após a conclusão da análise.
A situação levou a Polícia Civil a abrir um inquérito para apurar as circunstâncias em que a pistola estava sendo transportada, além de verificar se todos os procedimentos relacionados ao armamento seguiram as normas previstas na legislação.
Em manifestação enviada ao Supremo, a defesa de Bolsonaro confirmou que a arma havia sido entregue ao agente para avaliação técnica. Os advogados sustentam que o ex-presidente identificou um problema de funcionamento no equipamento e, por isso, buscou assistência especializada.
Ainda segundo a defesa, a pistola estaria sem condições de uso porque integrantes da equipe de segurança teriam retirado uma peça essencial para o funcionamento do armamento sem o conhecimento de Bolsonaro. A alegação faz parte dos esclarecimentos encaminhados ao STF e deverá ser analisada durante o andamento da investigação.
Além de autorizar o depoimento, Alexandre de Moraes solicitou informações adicionais à defesa do ex-presidente. Entre os questionamentos está a existência de eventual acompanhamento profissional na área da saúde durante o período noturno e detalhes sobre a rotina dos agentes responsáveis pela segurança de Bolsonaro.
O caso ocorre em um momento de intensa movimentação jurídica envolvendo o ex-presidente e tem recebido ampla atenção da opinião pública. Embora a investigação ainda esteja em fase inicial, o depoimento previsto para a próxima semana é considerado um passo importante para esclarecer os fatos e reunir elementos que auxiliem as autoridades na conclusão do inquérito.
Até o momento, não há definição sobre eventuais desdobramentos da apuração. A expectativa é que os próximos depoimentos e a análise dos documentos reunidos pela Polícia Civil contribuam para esclarecer todas as circunstâncias relacionadas ao episódio.



