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Provas em celulares levaram Deolane e Marcola a se tornarem réus, segundo CNN

A Justiça de São Paulo aceitou denúncia do Ministério Público e tornou ré a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra por organização criminosa e lavagem de dinheiro. A decisão, proferida pela 3ª Vara de Presidente Venceslau, também incluiu como réus o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, seu irmão Alejandro e outros familiares, além de um operador financeiro. A acusação sustenta que o grupo utilizava uma transportadora de fachada, a Lado a Lado, para ocultar e movimentar recursos oriundos de atividades ilícitas da facção.

As provas consideradas centrais pela investigação são os dados extraídos de aparelhos celulares apreendidos. Mensagens, áudios e comprovantes de depósitos detalham a suposta atuação de Deolane como receptora e distribuidora de valores do PCC. Relatórios do Coaf e análises financeiras complementam o material telemático, apontado pelo juiz como elemento nuclear para o recebimento da denúncia. Os promotores destacam que as conversas revelam coordenação direta entre os envolvidos no esquema.

As movimentações financeiras atribuídas a Deolane somam cerca de R$ 27 milhões em um período de aproximadamente quatro anos. O volume é considerado incompatível com sua capacidade econômica declarada à Receita Federal. Segundo o Ministério Público, os recursos eram repassados por intermédio da transportadora e depositados em contas da influenciadora, que também teria mantido parte dos valores em imóveis próprios e de seus filhos.

A operação que culminou nas acusações, batizada de Vérnix, foi deflagrada em maio de 2026. Deolane Bezerra foi presa preventivamente e atualmente cumpre a medida em penitenciária no interior paulista. A denúncia descreve uma estrutura organizada para a prática sistemática de lavagem de capitais, com o objetivo de integrar ao sistema financeiro formal recursos provenientes principalmente do tráfico de drogas.

Além de Deolane e Marcola, respondem ao processo dois sobrinhos do líder do PCC, que seguem foragidos no exterior, e Everton de Sousa, apontado como o principal operador financeiro do esquema. A Justiça considerou que a denúncia detalha suficientemente a participação de cada um dos acusados, configurando uma organização criminosa voltada à ocultação de bens e valores.

A defesa de Deolane Bezerra nega as acusações e afirma que ela atuava estritamente na condição de advogada, recebendo honorários lícitos. Os advogados sustentam que as movimentações financeiras têm origem em atividades profissionais e empresariais regulares. A estratégia da defesa é contestar a materialidade dos crimes e pedir o trancamento da ação ou a absolvição sumária da influenciadora.

O processo agora entra na fase de apresentação de respostas à acusação pelos réus, com prazo de dez dias. A Justiça de São Paulo analisa o caso em primeira instância, e o recebimento da denúncia representa um avanço significativo nas investigações sobre as supostas conexões entre o mundo jurídico, a influência digital e o crime organizado. O julgamento ainda deve demorar, mas o caso já expõe as complexas ramificações financeiras atribuídas à facção.

 

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