Curiosidades

Por que algumas pessoas atraem mais mosquitos do que outras?

Você já percebeu que, em uma roda de amigos, sempre existe aquela pessoa que volta para casa cheia de picadas enquanto as outras escapam quase ilesas? Durante muito tempo, a explicação mais popular para isso foi o famoso “sangue doce”. Mas a ciência mostra que a história é bem diferente.

Pesquisas recentes revelam que os mosquitos não escolhem suas vítimas pelo tipo sanguíneo. Na verdade, eles utilizam uma combinação de sinais que o nosso corpo emite constantemente. Entre eles estão o dióxido de carbono liberado na respiração, o calor corporal e substâncias presentes na pele.

Um estudo conduzido por pesquisadores do MIT e do Instituto de Tecnologia da Geórgia analisou milhões de dados sobre o comportamento de voo dos mosquitos. Os cientistas descobriram que esses insetos utilizam pistas visuais e químicas para localizar seus alvos, combinando diferentes informações antes de pousar.

O cheiro do corpo tem um papel fundamental nesse processo. Cada pessoa possui uma composição única de substâncias produzidas pela pele e pelo suor. Além disso, bilhões de microrganismos vivem naturalmente em nosso organismo e ajudam a criar um “perfil químico” exclusivo. Alguns desses compostos são especialmente atrativos para os mosquitos, tornando determinadas pessoas verdadeiros ímãs para os insetos.

Outro fator importante é a quantidade de dióxido de carbono que uma pessoa exala. Como os mosquitos conseguem detectar esse gás a certa distância, indivíduos que respiram mais intensamente podem acabar chamando mais atenção. Pessoas maiores ou que estejam realizando atividade física também tendem a emitir mais calor e sinais químicos, aumentando as chances de serem encontradas pelos insetos.

A temperatura corporal também influencia. Em dias quentes, após exercícios ou durante períodos de maior transpiração, o corpo produz substâncias como ácido lático, que podem funcionar como um convite para os mosquitos. Não é coincidência que muitas pessoas relatem ser mais picadas depois de uma caminhada ao ar livre ou de uma corrida no final da tarde.

Embora algumas pesquisas antigas tenham sugerido que determinados tipos sanguíneos poderiam ser mais atrativos, os estudos mais recentes apontam que o cheiro corporal e os sinais emitidos pela pele possuem um peso muito maior na escolha feita pelos mosquitos. Em outras palavras, o mito do “sangue doce” não encontra respaldo sólido nas descobertas científicas atuais.

A boa notícia é que existem formas simples de reduzir o risco de picadas. O uso de repelentes, roupas que cubram braços e pernas em áreas com grande presença de insetos e a eliminação de locais com água parada continuam sendo medidas eficazes. Além de proporcionar mais conforto, essas ações ajudam a diminuir a circulação de mosquitos em regiões urbanas.

Com o aumento das temperaturas observado em diversas partes do Brasil nos últimos anos, o assunto ganhou ainda mais relevância. Entender como esses insetos escolhem suas vítimas pode ajudar tanto na prevenção de incômodos do dia a dia quanto no desenvolvimento de novas estratégias para controle das populações de mosquitos.

Portanto, se você sempre foi a pessoa mais picada do grupo, saiba que provavelmente a explicação está na química do seu corpo e não em alguma característica misteriosa do seu sangue. A ciência mostra que os mosquitos são muito mais seletivos do que imaginávamos.

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