Jovem revela o que viu um dia antes da tragédia que chocou o país

Relatos de uma jovem que participou de um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, no interior de São Paulo, um dia antes da morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, passaram a integrar o debate sobre as condições de segurança adotadas pelos organizadores da atividade. Thais Macedo, de 23 anos, afirmou ter presenciado uma situação que chamou sua atenção durante o evento realizado na sexta-feira (12). Segundo ela, uma das cordas utilizadas pela equipe teria sido manipulada com fita adesiva do tipo silver tape, o que gerou preocupação entre alguns participantes. O caso ganhou repercussão após a tragédia registrada no sábado (13), quando Maria Eduarda foi lançada da Ponte do Esqueleto sem estar conectada ao equipamento de segurança, resultando em sua morte.
De acordo com o relato da jovem, a operação aparentava transmitir confiança aos clientes e não havia indícios claros de irregularidades para quem participava da atividade. Thais contou que conheceu o grupo responsável pelos saltos por meio das redes sociais e que os conteúdos publicados passavam uma imagem de profissionalismo. Durante sua experiência, porém, ela observou que uma das cordas estava sendo alvo de reparos improvisados. Segundo a empresária, integrantes da equipe cortaram pedaços de fita adesiva e passaram a manusear o equipamento, o que levou alguns participantes a manifestarem receio quanto à sua utilização. Ainda assim, outra corda continuou sendo usada normalmente, o que fez com que o episódio não fosse interpretado como uma situação grave naquele momento.
A jovem relatou que chegou a pedir para não utilizar a corda que estava sendo ajustada e afirmou que a solicitação foi atendida. Ela explicou que, diante da presença de outro equipamento aparentemente em condições adequadas, ninguém imaginou que pudesse existir um risco relevante. Segundo Thais, o ambiente era frequentado por diversos participantes, incluindo crianças que também realizavam saltos na modalidade conhecida como “aviãozinho”, a mesma escolhida por Maria Eduarda. Nesse formato, a pessoa é carregada por instrutores e lançada horizontalmente da estrutura antes de iniciar a queda controlada pelas cordas de segurança.
Ao comentar os procedimentos adotados antes dos saltos, Thais afirmou que a equipe realizava verificações em equipamentos como capacetes, cintos e coletes de proteção. Segundo ela, as conferências eram feitas momentos antes da atividade e incluíam a fixação de diferentes travas de segurança. Entretanto, a jovem destacou que a conexão da corda principal acontecia apenas nos instantes finais, quando o participante já estava posicionado para saltar. A observação chama atenção porque as investigações sobre a morte de Maria Eduarda apontam justamente para uma falha envolvendo a ausência completa das cordas de segurança no momento em que a estudante foi lançada da ponte.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil de São Paulo. Três homens que participaram diretamente do lançamento da jovem permanecem presos preventivamente e respondem por homicídio com dolo eventual, situação em que os envolvidos assumem o risco de produzir o resultado fatal. Em depoimentos prestados às autoridades, os suspeitos afirmaram não se lembrar de quem seria o responsável pela instalação e conferência das cordas naquele salto específico. Segundo informações divulgadas pela investigação, o grupo não possuía uma divisão fixa de funções, e a checagem dos equipamentos era feita de forma compartilhada entre os integrantes da equipe.
Além das circunstâncias que levaram à morte da estudante, a polícia também apura o desaparecimento de uma câmera que estaria com Maria Eduarda durante a atividade. O equipamento ainda não foi localizado. Paralelamente, autoridades buscam esclarecer se o grupo atuava de forma regular e se cumpria os procedimentos mínimos de segurança exigidos para atividades de alto risco. As imagens registradas no local mostram o momento em que a jovem é carregada e lançada da ponte sem qualquer conexão visível com as cordas de proteção. Testemunhas que acompanhavam o salto chegaram a gritar alertando sobre a ausência do equipamento logo após a queda.
A repercussão do caso provocou uma ampla discussão sobre a fiscalização de esportes radicais e sobre a responsabilidade dos organizadores em atividades que envolvem riscos elevados. Thais Macedo afirmou que não pretende apagar o vídeo de seu salto, realizado um dia antes da tragédia, mas ressaltou que não deseja incentivar outras pessoas a repetir a experiência. Para ela, a responsabilidade pela morte de Maria Eduarda recai sobre aqueles que tinham a obrigação de garantir a segurança dos participantes. Enquanto familiares e amigos lamentam a perda da jovem de 21 anos, as investigações continuam para determinar todas as circunstâncias do acidente e identificar possíveis falhas que possam ter contribuído para a tragédia.



