Morre Ângela Diniz Marques, de 48 anos

Paranapanema (SP) – A morte de Ângela Diniz Marques, de 48 anos, auxiliar de limpeza do Hospital Municipal Leonardo Van Melis, reacendeu o debate sobre a segurança da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. Ângela recebeu a dose única do imunizante em 29 de janeiro de 2026 e faleceu em 1º de março do mesmo ano, pouco mais de um mês após a aplicação. O caso, que está sendo investigado pelo Ministério da Saúde como possível evento adverso, mobiliza a família e autoridades sanitárias no interior paulista.
Segundo relatos da família, Ângela começou a apresentar sintomas dias após a vacinação, incluindo manchas na pele, dores intensas, vômitos e mal-estar generalizado. A filha Daiane Diniz, de 31 anos, afirma que a mãe procurou atendimento no próprio hospital onde trabalhava, mas foi liberada sem que o quadro fosse devidamente investigado. A família sustenta que a evolução do quadro poderia ter sido contida com diagnóstico e tratamento mais precoces.
A denúncia de negligência ganha força na narrativa da família. Daiane alega que, durante a transferência para a Santa Casa de Avaré, o histórico recente de vacinação não foi registrado no prontuário, o que teria atrasado a correlação entre os sintomas e a possível reação ao imunizante. A jovem cobra respostas claras das autoridades de saúde locais e do hospital sobre o atendimento prestado à mãe.
O Ministério da Saúde incluiu o caso de Ângela entre os óbitos suspeitos relacionados à vacina Butantan-DV. Até o momento, foram registradas cerca de duas mortes em investigação após a aplicação de aproximadamente 500 mil doses em diferentes regiões do país. As autoridades enfatizam que a suspensão temporária da campanha foi uma medida preventiva, adotada enquanto as investigações técnicas avançam.
Especialistas consultados em episódios semelhantes destacam a importância de diferenciar correlação temporal de causalidade. Sintomas como os descritos pela família podem estar associados a diversas condições, desde reações adversas raras até outras infecções comuns em período sazonal. O Instituto Butantan tem reforçado que, até o presente, não há evidência científica consolidada de nexo causal entre o imunizante e os óbitos notificados.
A necropsia realizada em Ângela ainda não teve o laudo conclusivo divulgado. A expectativa é que o documento seja liberado em julho, oferecendo elementos mais precisos sobre a causa da morte. Paralelamente, a Polícia Civil e a prefeitura de Paranapanema apuram as circunstâncias do atendimento hospitalar para verificar a existência de falhas ou omissões.
Enquanto as investigações seguem, o episódio alimenta discussões sobre o monitoramento de eventos adversos pós-vacinação e a comunicação transparente com a população. A tragédia de Ângela Diniz Marques, que dedicava sua vida ao serviço público de saúde no município, tornou-se símbolo das incertezas que ainda cercam o uso em larga escala da nova vacina contra a dengue no Brasil.



