Motorista de caminhão que bateu de frente com van nega que tenha invadido contramão na BR-116

As investigações sobre o grave acidente ocorrido na BR-116, em Santa Terezinha, na Bahia, seguem avançando enquanto a Justiça mantém preso o caminhoneiro envolvido na ocorrência que resultou na morte de 16 pessoas. Durante audiência de custódia realizada na segunda-feira (1º), o motorista apresentou sua versão dos fatos e contestou as conclusões preliminares apontadas pelas autoridades.
Segundo o relato feito à Justiça, ele nega ter invadido a pista contrária, hipótese considerada inicialmente nas investigações. O condutor afirmou que o acidente aconteceu no momento em que realizava uma troca de marcha no veículo. A declaração foi dada durante a audiência, realizada por videoconferência diretamente do hospital onde ele permanece internado.
Apesar da manifestação do motorista, a magistrada responsável pelo caso esclareceu que a audiência de custódia não tem a função de determinar as causas do acidente. O objetivo principal desse procedimento é avaliar se a prisão foi realizada dentro da legalidade e decidir se o investigado deve permanecer detido ou responder ao processo em liberdade.
O caminhoneiro está internado no Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus, onde recebe acompanhamento médico desde o acidente. Durante a sessão, ele informou que está consciente e em condições de responder aos questionamentos feitos pelas autoridades.
Os ferimentos sofridos foram significativos. Após a ocorrência, ele passou por uma cirurgia no braço e ainda aguarda um novo procedimento na perna direita. De acordo com seu depoimento, a recuperação segue em andamento, embora o tratamento exija cuidados constantes.
Natural de Santa Catarina, o motorista também compartilhou informações sobre sua vida pessoal durante a audiência. Pai de cinco filhos, ele destacou seus vínculos familiares ao apresentar sua defesa. Na ocasião, também foram mencionados antecedentes criminais relacionados a uma condenação por furto registrada há alguns anos e já cumprida.
O Ministério Público defendeu a conversão da prisão em flagrante para prisão preventiva. Entre os argumentos apresentados estão a gravidade do caso, o elevado número de vítimas e o fato de o investigado residir fora do estado da Bahia. Para o órgão, esses fatores justificariam a manutenção da custódia enquanto as apurações continuam.
Já a defesa solicitou liberdade provisória. Os advogados argumentaram que o motorista possui endereço conhecido, laços familiares consolidados e que os antecedentes mencionados não possuem relação direta com o episódio investigado atualmente. A defesa também sustentou que o processo ainda está em fase inicial e que as circunstâncias do acidente precisam ser analisadas com cautela.
Após avaliar os elementos apresentados, a Justiça decidiu manter o investigado preso preventivamente. A medida busca garantir o andamento das investigações enquanto peritos e autoridades trabalham para esclarecer exatamente o que ocorreu nos momentos que antecederam a colisão.
O caso continua mobilizando a atenção das autoridades e da população. Com a coleta de depoimentos, análises técnicas e laudos periciais, a expectativa é que os próximos passos da investigação ajudem a reconstruir a dinâmica do acidente e forneçam respostas mais precisas sobre as responsabilidades envolvidas nessa tragédia que marcou a região.



