Morre a famosa maquiadora Roseli Oliveira ao realizar procedimento estético

A morte da maquiadora Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, de 48 anos, após um procedimento estético realizado em São Paulo, causou forte repercussão e levantou discussões sobre os riscos relacionados ao uso do PMMA em procedimentos corporais. Em menos de 24 horas, Roseli saiu de uma clínica aparentemente bem após a aplicação da substância e retornou ao local desacordada, vindo a falecer após sofrer uma parada cardiorrespiratória. Segundo informações do boletim de ocorrência, a maquiadora havia viajado do Mato Grosso do Sul para a capital paulista acompanhada da filha, Karla, exclusivamente para realizar procedimentos estéticos de preenchimento nos glúteos, posteriores das coxas e quadríceps. O caso passou a ser investigado pela Polícia Civil, enquanto familiares aguardam os laudos periciais que irão determinar oficialmente a causa da morte.
De acordo com os depoimentos prestados à polícia, Roseli e a filha chegaram à clínica localizada no bairro do Brooklin, na zona sul de São Paulo, por volta das 11h10 da segunda-feira. O procedimento teve início cerca de vinte minutos depois. A médica responsável, Tábita Nunes Marcolino Jorge, informou que foram aplicados 120 ml de PMMA em cada glúteo e mais 30 ml em cada posterior de coxa, totalizando aproximadamente 300 ml da substância. Segundo a profissional, esse volume estaria dentro do limite permitido por sessão. Ela também afirmou que Roseli já havia realizado um procedimento semelhante dois anos antes com outro médico. Ainda conforme o relato da médica, todo o atendimento durou cerca de duas horas e meia, incluindo consulta, avaliação clínica, análise de exames e a própria aplicação do produto.
Após o procedimento, Roseli aparentava estar bem e apresentou apenas dores normais nas áreas em que recebeu as aplicações. Tanto a médica quanto a filha da maquiadora afirmaram que ela permaneceu consciente, conversando normalmente e até realizou um lanche antes de deixar a clínica por volta das 14h. Entretanto, horas depois, durante a noite, começaram os primeiros sinais de mal-estar. Segundo o boletim de ocorrência, Roseli entrou em contato com a médica às 21h18 perguntando se poderia tomar um medicamento diferente do inicialmente recomendado. O uso foi autorizado, e ela também ingeriu um remédio para dormir. Apesar disso, na manhã seguinte, o quadro piorou rapidamente. A filha relatou que a mãe acordou aparentemente bem, mas logo começou a sentir fraqueza, dificuldade para respirar e aceleração dos batimentos cardíacos.
O depoimento de Karla revelou momentos dramáticos vividos antes da morte da mãe. Segundo ela, Roseli chegou a dizer que acreditava que iria morrer, tamanha a intensidade do mal-estar. Diante da situação, a médica orientou que as duas retornassem imediatamente à clínica para uma nova avaliação. Durante o trajeto de carro por aplicativo até o local, o estado de saúde da maquiadora se agravou ainda mais. Ela começou a ficar sem ar e perdeu a consciência dentro do veículo. Ao chegar à clínica, Roseli precisou ser retirada do carro em uma cadeira de rodas. Já na recepção do edifício, sofreu uma parada cardiorrespiratória. A médica iniciou manobras de reanimação enquanto aguardava a chegada do Samu, mas a tentativa não teve sucesso. Os paramédicos também tentaram reanimá-la, porém o óbito foi confirmado às 10h05 da manhã de terça-feira, menos de um dia após o procedimento estético.
O caso também reacendeu debates sobre o uso do PMMA, substância conhecida como polimetilmetacrilato, frequentemente utilizada em preenchimentos corporais. O produto é um polímero plástico derivado do petróleo e autorizado pela Anvisa apenas em situações específicas de caráter reparador, como correções volumétricas relacionadas a doenças ou sequelas médicas. Apesar disso, o material ainda é usado em procedimentos estéticos em algumas clínicas. Segundo especialistas e órgãos reguladores, o PMMA pode provocar complicações graves, incluindo inflamações, reações alérgicas, embolias, granulomas e até necrose dos tecidos. O Conselho Federal de Biomedicina já chegou a recomendar à Anvisa a proibição da substância para fins estéticos, alegando que atualmente existem opções mais modernas e consideradas mais seguras. Ainda assim, o produto continua gerando controvérsias e preocupação dentro da área da saúde estética.
Em nota divulgada à imprensa, a defesa da médica afirmou que o procedimento ocorreu sem intercorrências e destacou que Roseli permaneceu bem durante todo o período em que esteve na clínica. Segundo o posicionamento, a paciente recebeu alta consciente, caminhando normalmente e sem apresentar reclamações importantes. A defesa também ressaltou que ainda não existe laudo conclusivo relacionando diretamente o procedimento estético à morte da maquiadora. A profissional se apresentou voluntariamente à polícia, forneceu documentos e segue colaborando com as investigações. Enquanto isso, o caso segue sendo acompanhado pelas autoridades e provoca grande repercussão nas redes sociais, especialmente entre pessoas interessadas em procedimentos estéticos corporais. Em tempos de filtros perfeitos e padrões irreais nas redes, especialistas reforçam que estética nunca deve valer mais do que segurança e acompanhamento médico adequado.



