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STF: Moraes cobra posicionamento da PGR em caso envolvendo Flávio e Jair Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre o pedido para incluir o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro como alvos de investigação. O requerimento foi protocolado pelo deputado federal Lindbergh Farias, do PT do Rio de Janeiro, e busca ampliar o escopo do inquérito que apura a atuação do deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A medida representa mais um capítulo da série de investigações que envolvem a família Bolsonaro no STF.

O pedido de Lindbergh Farias foi apresentado em 18 de maio e baseia-se em novos elementos obtidos por meio de áudios e mensagens trocadas entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Segundo o deputado petista, os materiais revelariam conexões financeiras e operacionais que poderiam ligar Flávio ao suporte de atividades atribuídas a Eduardo no exterior. A solicitação argumenta que esses indícios justificam a inclusão tanto de Flávio quanto do ex-presidente Jair Bolsonaro no mesmo procedimento.

O inquérito em questão investiga supostas tentativas de coação no curso do processo por parte de Eduardo Bolsonaro. As autoridades apuram se o parlamentar buscou articular, junto a interlocutores norte-americanos, medidas de pressão contra ministros do Supremo Tribunal Federal, incluindo possíveis sanções internacionais. Eduardo já é réu nesse caso, com a Procuradoria-Geral da República tendo pedido sua condenação por esses atos.

Os áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, divulgados pelo The Intercept Brasil, tratam de repasses financeiros relacionados ao filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. As conversas também abordariam o custeio de despesas vinculadas às atividades de Eduardo nos Estados Unidos. Para a defesa do pedido, esses elementos configurariam indícios de possível financiamento ou apoio logístico à atuação investigada.

A inclusão de Jair Bolsonaro no inquérito seria uma reavaliação de sua posição no caso. Embora o ex-presidente já tenha sido citado em petições anteriores, a Procuradoria não o denunciou inicialmente. A nova manifestação solicitada por Moraes pode reabrir essa discussão caso a PGR entenda que os elementos apresentados são suficientes para justificar sua inclusão como investigado.

Aliados da família Bolsonaro classificam o movimento como mais uma etapa de perseguição política orquestrada pelo Judiciário. Eles sustentam que não há irregularidades nos repasses mencionados e que as conversas gravadas tratam de assuntos lícitos, como produção audiovisual e apoio político. A defesa afirma que o uso seletivo de áudios visa criminalizar relações políticas e financeiras normais.

O processo segue em tramitação no Supremo Tribunal Federal, onde a posição da Procuradoria-Geral da República será decisiva para o próximo passo de Moraes. Independentemente da decisão final, o caso reforça a polarização entre o Judiciário e o grupo político bolsonarista, mantendo sob escrutínio as relações financeiras e as articulações internacionais da família.

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