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Suplente de Alcolumbre é indiciado pela PF por suspeita de desvio de recursos

A investigação da Polícia Federal sobre supostas irregularidades em licitações do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no Amapá ganhou um novo capítulo nesta semana. O empresário Breno Chaves Pinto, segundo suplente do senador Davi Alcolumbre, foi indiciado após a conclusão de um inquérito que apura possíveis fraudes em contratos públicos ligados ao órgão federal.

De acordo com as informações divulgadas pelo jornal O Globo, a Polícia Federal aponta que Breno teria atuado de forma próxima a integrantes do DNIT no estado, utilizando influência política para favorecer interesses em processos licitatórios. O empresário foi indiciado por associação criminosa, tráfico de influência e corrupção ativa. Já Marcello Linhares, superintendente regional do DNIT no Amapá, também aparece entre os investigados.

O caso começou a ganhar força em julho do ano passado, quando a PF realizou uma operação em Macapá para reunir documentos, mensagens e registros relacionados às concorrências públicas do órgão. Segundo os investigadores, havia indícios de que Breno Pinto mantinha diálogo frequente com integrantes da autarquia e tentava influenciar decisões administrativas envolvendo recursos federais.

Apesar da repercussão política do caso, as autoridades destacaram que não foram encontrados elementos que ligassem diretamente o senador Davi Alcolumbre às possíveis irregularidades. Por esse motivo, o processo permaneceu na Justiça Federal do Amapá, sem envio ao Supremo Tribunal Federal.

Em nota divulgada à imprensa, Alcolumbre afirmou não possuir qualquer relação com as atividades empresariais de seu suplente. O presidente do Senado ressaltou ainda que não interfere em decisões administrativas do DNIT e defendeu que eventuais responsáveis por irregularidades sejam punidos dentro da lei, caso os fatos sejam comprovados.

As investigações também chamam atenção pelo conteúdo das mensagens analisadas pela Polícia Federal. Segundo a apuração, conversas trocadas entre Breno Pinto e Marcello Linhares tratavam da liberação de recursos federais e do andamento de contratos públicos. Em um dos diálogos citados pela imprensa, o dirigente do DNIT teria pedido apoio para pressionar o governo federal na liberação de empenhos orçamentários.

O nome de Breno Pinto já havia aparecido em outras investigações ligadas a obras públicas no estado. Em 2022, uma construtora ligada ao empresário foi alvo de apuração por suspeitas de sobrepreço em intervenções viárias no Amapá. Na época, houve operação de busca e apreensão autorizada pela Justiça Federal.

Além da atuação empresarial, Breno também ficou conhecido no meio esportivo. Natural de Imperatriz, no Maranhão, ele conquistou destaque no motociclismo nacional ao vencer a categoria GP 1000 Open em 2023. Antes disso, havia disputado sua primeira eleição em 2022, declarando ao Tribunal Superior Eleitoral patrimônio superior a R$ 8 milhões, grande parte vinculada a participações em empresas.

Agora, com a conclusão do inquérito, o caso segue para análise do Ministério Público Federal. Caberá ao órgão decidir se pede novas diligências ou se apresenta denúncia formal à Justiça. Esse é o momento em que a investigação pode avançar para uma eventual ação penal.

O episódio aumenta a pressão sobre contratos públicos e mecanismos de fiscalização envolvendo obras federais, especialmente em um período em que o debate sobre transparência e uso de recursos públicos segue em evidência no cenário político brasileiro. Enquanto isso, os investigados aguardam acesso completo aos autos para definir as próximas medidas jurídicas e apresentar suas defesas oficialmente.

 

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