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Terapeuta de 31 anos morre após passar por coleta de óvulos em SP

A morte da terapeuta Gabriela Moura, de 31 anos, após um procedimento de coleta de óvulos em uma clínica da zona sul de São Paulo, trouxe novamente ao debate um tema delicado: a segurança dos tratamentos de reprodução assistida no Brasil. O caso, que passou a ser investigado pela Polícia Civil, gerou forte repercussão nas redes sociais e levantou questionamentos sobre possíveis falhas durante o atendimento médico.

Gabriela realizou o procedimento no dia 17 de fevereiro. Segundo informações divulgadas pelo portal UOL, poucos minutos após a coleta dos óvulos, ela sofreu uma parada cardiorrespiratória ainda dentro da clínica. Equipes de emergência foram acionadas rapidamente, e os profissionais iniciaram os protocolos de reanimação.

Os registros médicos apontam que a terapeuta chegou a ser estabilizada após massagem cardíaca e intubação. Em seguida, foi encaminhada para um hospital particular da capital paulista, onde permaneceu internada por sete dias. Apesar dos esforços da equipe médica, Gabriela não resistiu às complicações.

A família da terapeuta afirma que ainda busca respostas claras sobre o que teria acontecido durante o atendimento. Parentes acreditam que pode ter ocorrido algum tipo de falha humana e pedem que o caso seja apurado com profundidade. O boletim de ocorrência foi registrado como morte suspeita, enquanto o laudo oficial do Instituto Médico Legal segue em elaboração.

Nos últimos anos, o número de mulheres que procuram procedimentos de preservação da fertilidade cresceu no Brasil.

 Muitas decidem congelar óvulos por motivos profissionais, planejamento familiar ou questões de saúde. O procedimento costuma ser considerado seguro pela medicina, principalmente quando realizado em clínicas especializadas e com acompanhamento adequado.

Antes da coleta, a paciente passa por uma etapa de estimulação hormonal, que faz os ovários produzirem mais óvulos do que em um ciclo natural. Depois disso, é realizada uma punção guiada por ultrassom, normalmente com sedação. Embora seja um processo relativamente rápido, especialistas explicam que qualquer procedimento médico pode apresentar riscos, ainda que raros.

Entre as complicações possíveis estão infecções, reações anestésicas, sangramentos internos e a chamada síndrome de hiperestimulação ovariana. Essa condição ocorre quando os ovários respondem de forma intensa aos medicamentos hormonais, podendo causar desconfortos importantes e, em situações incomuns, quadros mais graves.

O episódio envolvendo Gabriela também reacendeu discussões sobre fiscalização em clínicas de reprodução assistida e sobre a necessidade de protocolos ainda mais rígidos para garantir a segurança das pacientes. Em grupos de redes sociais, muitas mulheres relataram preocupação após tomarem conhecimento do caso, enquanto profissionais da área reforçaram que situações semelhantes são consideradas incomuns.

Mesmo assim, especialistas destacam que transparência e investigação cuidadosa são fundamentais para esclarecer qualquer dúvida. A conclusão do laudo pericial deverá ajudar a polícia a entender se houve alguma condição clínica inesperada ou eventual falha durante o procedimento.

Enquanto as investigações continuam, familiares e amigos tentam lidar com a perda precoce de Gabriela Moura. Nas redes sociais, mensagens de despedida descrevem a terapeuta como uma mulher dedicada, acolhedora e muito querida por pacientes e pessoas próximas.

O caso segue mobilizando atenção pública e deve continuar sendo acompanhado pelas autoridades paulistas nos próximos dias.
 

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