Famosos

Com vários criminosos incluídos, Deolane Bezerra foi parar na lista vermelha da Interpol

A inclusão de Deolane Bezerra na lista de Difusão Vermelha da Interpol reacendeu o debate sobre o funcionamento desse mecanismo internacional de busca. A influenciadora, investigada na Operação Vérnix por suposta lavagem de dinheiro ligada ao crime organizado, teve seu nome incluído no alerta enquanto estava na Itália. Seu retorno ao Brasil e a prisão subsequente ilustram como a ferramenta pode pressionar fugitivos, mas também levantam questões sobre quem realmente integra esse sistema global de alertas policiais.

A Red Notice da Interpol não se trata de uma lista de “mais procurados” no estilo de rankings sensacionalistas, mas de um pedido formal de cooperação entre forças policiais de diferentes países. Emitida a pedido de uma nação membro, a difusão vermelha visa localizar e prender provisoriamente indivíduos com mandados de prisão válidos, facilitando eventual extradição. No caso de crimes graves como tráfico de drogas, homicídio, lavagem de dinheiro e participação em organizações criminosas, o mecanismo se torna especialmente ativo.

Criminosos são, de fato, os principais alvos desse instrumento. Para que uma pessoa seja incluída, é necessário um mandado de prisão emitido por autoridade judicial competente e a caracterização do delito como crime comum grave, com pena mínima estabelecida. A Interpol analisa os pedidos para evitar abusos, rejeitando aqueles que possam configurar perseguição política, religiosa ou de outra natureza vedada pelo seu estatuto. Assim, traficantes internacionais, assassinos foragidos e líderes de facções que cruzam fronteiras frequentemente recebem o alerta vermelho.

Nem todos os grandes nomes do crime organizado, porém, aparecem na lista. Muitos atuam de dentro de presídios, operam sem sair do território nacional ou ainda não possuem condenação ou mandado internacional. A inclusão depende de iniciativa do país de origem e da aprovação do Secretariado-Geral da Interpol, o que torna o processo seletivo e condicionado a aspectos operacionais e diplomáticos. Isso explica por que alguns dos criminosos mais perigosos do mundo permanecem fora do radar visível da organização.

A ferramenta ganhou relevância com o aumento da globalização do crime. Organizações como o PCC e cartéis latino-americanos expandiram operações para Europa, África e Ásia, tornando a cooperação policial indispensável. Casos emblemáticos de traficantes e lavadores de dinheiro capturados graças a Red Notices demonstram a eficácia do sistema quando bem articulado entre polícias e autoridades judiciárias.

Especialistas destacam que a lista não possui caráter punitivo em si, mas sim preventivo e investigativo. Ela permite que agentes em aeroportos, fronteiras e delegacias de dezenas de países acessem informações em tempo real. No entanto, a efetividade depende da vontade política dos governos envolvidos e da agilidade nos processos de extradição, que muitas vezes enfrentam barreiras legais e burocráticas.

Em um mundo cada vez mais conectado, a Red Notice da Interpol representa uma das poucas respostas institucionais robustas ao crime transnacional. O caso recente de Deolane Bezerra serve como lembrete de que, mesmo personalidades públicas, não estão imunes ao alcance da justiça quando cruzam fronteiras para escapar de investigações sérias. O mecanismo reforça que a impunidade, em casos de crimes graves, encontra limites cada vez mais estreitos no âmbito internacional.

Mostrar mais

LEIA TAMBÉM: