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Alcolumbre deve barrar nova possibilidade de criação de CPI do Master

A possibilidade de abertura de uma CPI mista para investigar o caso envolvendo o Banco Master voltou a movimentar os bastidores de Brasília nesta quinta-feira (21). Apesar da pressão pública de parlamentares da oposição e também de integrantes da base governista, a expectativa no Congresso é de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, mais uma vez evite colocar o pedido em andamento durante a sessão conjunta marcada para analisar vetos presidenciais da LDO de 2026.

Nos corredores do Congresso, a avaliação é curiosa: embora discursos públicos apontem apoio à investigação, poucos líderes políticos demonstram real interesse na instalação da comissão. O cenário revela um típico jogo político de Brasília, em que declarações feitas diante das câmeras nem sempre refletem o que acontece nas negociações internas.

Atualmente, existem dois pedidos de CPI mista protocolados, ambos já com o número necessário de assinaturas de deputados e senadores. Pelo regimento, a leitura do requerimento em sessão conjunta costuma ser o passo que oficializa a criação da comissão. Ainda assim, aliados e adversários do governo acreditam que Alcolumbre deve ignorar novamente os pedidos, repetindo a postura adotada em abril.

Do lado governista, o receio é conhecido entre políticos experientes: uma CPI pode tomar rumos imprevisíveis. A frase “não se sabe como termina” voltou a circular entre líderes partidários nos últimos dias. Isso porque investigações parlamentares frequentemente ampliam o foco inicial e acabam atingindo nomes que, no começo, sequer apareciam no radar.

Na oposição, o clima também é de cautela. Isso ganhou força após a divulgação de áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. O episódio trouxe desconforto para setores do bolsonarismo, especialmente porque Flávio é visto como um dos possíveis nomes da direita para a disputa presidencial de 2026.

Mesmo assim, aliados do senador tentam transformar o episódio em oportunidade política. A estratégia seria defender publicamente a CPI para demonstrar apoio às investigações e, ao mesmo tempo, reforçar a narrativa de distanciamento em relação ao banqueiro. Nos bastidores, interlocutores acreditam que a movimentação busca reduzir o desgaste causado pela repercussão dos áudios revelados recentemente.

Já o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, adotou um discurso mais duro. Ele afirmou que o caso precisa ser investigado de maneira ampla, citando possíveis conexões políticas envolvendo diferentes grupos. A fala aumentou a temperatura do debate e ampliou a pressão sobre a presidência do Senado.

Outro ponto que pesa no cenário é a relação de Alcolumbre com nomes investigados em operações ligadas a investimentos suspeitos envolvendo recursos públicos. Parlamentares da oposição mencionam a ligação política do senador com Jocildo Silva Lemos, ex-presidente da Amprev, instituição que entrou no radar da Polícia Federal por movimentações financeiras relacionadas ao Banco Master.

Além disso, líderes partidários ainda carregam a lembrança da CPI dos atos de 8 de Janeiro. Na época, setores da oposição defenderam a comissão acreditando que ela desgastaria o governo federal. Porém, o Planalto conseguiu maioria no colegiado e mudou os rumos da investigação, aumentando a resistência de alguns grupos políticos em apoiar novas CPIs neste momento.

Enquanto isso, cresce a percepção de que Alcolumbre deve assumir sozinho o desgaste político da decisão de não avançar com a comissão. Mesmo sob pressão pública de diferentes lados, a tendência em Brasília segue sendo de cautela, negociações reservadas e muitos discursos calculados diante das câmeras.

 

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