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Filme sobre Bolsonaro vira alvo de polêmica após ator relatar agressão durante gravação

As gravações da cinebiografia “Dark Horse”, inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, acabaram ganhando repercussão por um motivo inesperado. Um ator envolvido na produção relatou ter sido alvo de agressões e ofensas durante uma filmagem realizada no Memorial da América Latina, em São Paulo. O episódio rapidamente chamou atenção nos bastidores do entretenimento e também do meio político, ampliando ainda mais as discussões em torno do longa.

Segundo informações registradas em boletim de ocorrência, o artista teria sido abordado de forma hostil enquanto participava das gravações. Testemunhas relataram um clima de tensão no local, com discussões e empurra-empurra que acabaram interrompendo parte da produção. O ator afirmou ainda que sofreu insultos e recebeu atendimento médico após apresentar um ferimento na região da testa.

O caso ganhou maior repercussão porque o filme já vinha sendo cercado por questionamentos antes mesmo do início das filmagens. Isso porque a produção estaria ligada a um contrato milionário firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil, organização que possui ligação com integrantes da equipe responsável pelo projeto audiovisual. A parceria, avaliada em R$ 108 milhões, passou a ser analisada por órgãos públicos após denúncias de possíveis irregularidades na aplicação dos recursos.

Nos últimos dias, vereadores da capital paulista e representantes de diferentes setores passaram a cobrar mais transparência sobre a utilização do dinheiro público. Entre os parlamentares que se manifestaram está Nabil Bonduki, que pediu esclarecimentos sobre os critérios adotados para a contratação da entidade envolvida na produção do filme.

Além da investigação administrativa, o episódio envolvendo o ator levantou preocupações relacionadas à segurança dos profissionais no set de filmagem. Pessoas ligadas à equipe afirmam que o ambiente ficou mais delicado após a repercussão do caso, principalmente devido ao aumento da exposição pública em torno do projeto. A produção agora tenta reorganizar o cronograma das gravações enquanto acompanha o avanço das apurações.

Outro ponto que ampliou o debate nas redes sociais envolve a participação do deputado federal Mário Frias, citado como um dos nomes ligados ao projeto cinematográfico. A destinação de emendas parlamentares para o instituto responsável também passou a ser discutida por internautas e por setores da oposição, aumentando o tom político em torno da obra.

Enquanto isso, manifestações favoráveis e contrárias ao filme começaram a surgir nas plataformas digitais. Parte do público defende a continuidade da produção como forma de liberdade artística e expressão cultural. Já outros usuários questionam a relação entre recursos públicos e obras ligadas a figuras políticas que costumam dividir opiniões no país.

O Ministério Público de São Paulo informou que acompanha o caso e deverá analisar toda a documentação referente ao contrato firmado com a organização responsável. Dependendo do resultado das investigações, a produção poderá enfrentar mudanças importantes nos próximos meses.

Em meio à repercussão, o episódio acabou transformando “Dark Horse” em um dos assuntos mais comentados do momento. O caso mistura política, entretenimento e debates sobre transparência pública, criando um cenário que ultrapassa o universo do cinema e passa a ocupar espaço também nas discussões nacionais.

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