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A despedida de Noca da Portela marcou o fim de um capítulo importante da história do samba brasileiro. Aos 93 anos, o compositor deixou uma trajetória que atravessou gerações e ajudou a moldar a identidade cultural do Carnaval do Rio de Janeiro. A notícia foi anunciada na edição do programa Fantástico exibida no domingo, 17 de maio de 2026, comoveu fãs e artistas e reacendeu homenagens a um dos nomes mais respeitados da música popular ligada às escolas de samba.
Internado desde o fim de abril em um hospital no bairro de São Cristóvão, na Zona Norte carioca, o artista havia sido levado à unidade para tratar um quadro de infecção urinária. Nos dias seguintes, no entanto, o estado de saúde se tornou mais delicado. Com o surgimento de uma pneumonia, ele precisou ser transferido para o Centro de Tratamento Intensivo, onde permaneceu sob cuidados médicos até seus últimos dias. A notícia rapidamente repercutiu entre sambistas, músicos e admiradores de sua obra.
Falar de Noca é falar de uma parte viva da memória do samba. Nascido em Leopoldina, em Minas Gerais, ele ainda era criança quando sua família se mudou para o Rio. Foi na capital fluminense que sua ligação com a música se fortaleceu. Ainda jovem, dedicou-se ao estudo de violão e teoria musical, algo que o diferenciava entre muitos compositores da época e lhe deu ferramentas para construir sambas sofisticados, sem perder a essência popular.
Sua ligação com a Portela começou de forma decisiva nos anos 1960. O convite para integrar a ala de compositores partiu de Paulinho da Viola, outro gigante da música brasileira. A partir dali, Noca construiu uma carreira histórica dentro da azul e branca de Madureira. Venceu diversas disputas de samba-enredo e assinou composições que até hoje ecoam nas arquibancadas e nos ensaios da escola.
Ao longo de décadas, tornou-se referência não apenas por sua capacidade criativa, mas também pelo respeito que cultivou entre os colegas. Muitos artistas mais jovens o viam como mestre. Sua poesia tinha a capacidade de transformar episódios históricos, temas culturais e homenagens em canções que permaneciam na memória coletiva. Em tempos em que o Carnaval se moderniza e ganha novas linguagens, a obra de Noca seguia como lembrança de um período em que a composição era construída quase como conversa entre vizinhos em um quintal.
A repercussão de sua partida foi imediata. A Portela decretou três dias de luto oficial e publicou uma nota emocionada em suas redes sociais. No texto, a escola destacou que a voz poética de seu baluarte seguirá presente em Madureira, nos desfiles e na história do samba. O gesto reforçou a dimensão de sua importância para a agremiação.
Um detalhe que emocionou familiares e amigos foi o carinho recebido nos dias finais. Segundo relatos, os netos costumavam cantar para ele músicas do projeto Flores em Vida, álbum lançado recentemente como homenagem à sua trajetória. Em meio ao silêncio do hospital, aquelas canções serviram como ponte entre o artista e tudo aquilo que construiu: uma vida inteira dedicada à música, à cultura popular e ao amor pelo samba.



