Flávio Bolsonaro diz que “está com Deus” e Lula “com o diabo”

Em um discurso marcado por forte apelo religioso e tom de mobilização política, o senador Flávio Bolsonaro voltou ao centro do debate nacional neste sábado, 16, ao fazer duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante um evento de pré-campanha. A fala ocorreu em um momento de crescente tensão no cenário político brasileiro, já de olho nas articulações para as eleições de outubro.
Ao discursar para apoiadores, Flávio adotou uma narrativa fortemente simbólica, associando o próximo pleito a uma disputa entre o bem e o mal. Sem poupar palavras, o senador afirmou que seu grupo político estaria “com Deus”, enquanto o adversário representaria o lado oposto. A declaração chamou atenção por reforçar o uso de elementos religiosos em campanhas eleitorais, estratégia que tem sido cada vez mais presente em atos públicos de lideranças conservadoras no país.
Segundo o parlamentar, o atual governo conduz o Brasil a uma situação de instabilidade e desorganização. Em sua fala, ele disse que o país está “de pernas para o ar”, responsabilizando a gestão petista por problemas econômicos, insegurança institucional e perda de confiança de parte da população. O evento reuniu simpatizantes do ex-presidente Jair Bolsonaro e serviu como palco para reacender o discurso de oposição que deve ganhar força nos próximos meses.
O tom de enfrentamento também veio acompanhado de uma mensagem pessoal. Flávio mencionou episódios recentes envolvendo seu nome e afirmou que não pretende recuar diante de pressões. Ao citar uma passagem bíblica, declarou que acordou pensando na ideia de que quem demonstra fraqueza nas dificuldades acaba revelando sua verdadeira fragilidade. A frase foi interpretada como uma resposta às notícias divulgadas nos últimos dias envolvendo conversas atribuídas ao senador.
As declarações ocorreram pouco depois de uma reportagem publicada pelo Intercept Brasil trazer à tona mensagens trocadas entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, então ligado ao Banco Master. O conteúdo repercutiu nas redes sociais e nos bastidores de Brasília, ampliando a pressão sobre o senador em um momento estratégico para o grupo bolsonarista.
Ainda assim, o parlamentar procurou transmitir confiança aos seus apoiadores. Em tom de resistência, afirmou que seus adversários mais uma vez o subestimaram, acreditando que ele poderia ser intimidado. Disse também que carrega a força do sobrenome Bolsonaro e que continuará atuando politicamente em defesa do país.
Nos últimos meses, a polarização entre apoiadores de Lula e Bolsonaro voltou a se intensificar, especialmente nas redes e em eventos públicos. O uso de discursos com referências religiosas, morais e simbólicas tende a aumentar à medida que a disputa eleitoral se aproxima. Analistas políticos observam que esse tipo de linguagem costuma fortalecer a mobilização de bases já consolidadas, embora também provoque reações entre eleitores moderados.
Com o calendário eleitoral se aproximando, declarações como a de Flávio mostram que a campanha já começou, mesmo antes do período oficial. E, mais uma vez, o debate político brasileiro dá sinais de que seguirá marcado por emoção, confronto verbal e discursos capazes de dividir opiniões em todo o país.



