Lula pediu ajuda a Trump para prender alvo da PF foragido em Miami

Na manhã desta sexta-feira, um novo capítulo de um dos maiores casos de dívida tributária do país ganhou força e repercussão nacional. A Polícia Federal deflagrou a Operação Sem Refino, que mira o empresário Ricardo Magro, dono do grupo Refit, e também alcançou o ex-governador Cláudio Castro. O caso se tornou ainda mais comentado após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre uma conversa recente com Donald Trump.
Segundo as investigações, a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, é apontada como a maior devedora contumaz do Brasil. O montante em débitos fiscais, somando União e estado do Rio de Janeiro, chega a aproximadamente R$ 26 bilhões. A acusação principal é de que a empresa teria transformado o não pagamento de tributos em parte do próprio modelo de negócios, o que, na prática, permitiria operar com preços abaixo da concorrência e ampliar sua presença no mercado de combustíveis.
A expressão “devedora contumaz” tem ganhado espaço no debate econômico justamente por diferenciar empresas em dificuldade financeira de grupos que, segundo autoridades, estruturam operações para acumular dívidas fiscais de forma planejada. No caso da Refit, o entendimento das autoridades é que não se trata de um problema temporário de caixa, mas de uma estratégia contínua que já vinha sendo acompanhada em outras investigações anteriores.
Entre elas, aparecem operações como Poço de Lobato e Carbono Oculto, que investigaram movimentações suspeitas no setor de combustíveis, incluindo possíveis fraudes na importação de derivados de petróleo e uso de notas fiscais irregulares. Essas apurações já vinham colocando a empresa no radar da Receita Federal e da própria PF há alguns anos.
O nome de Ricardo Magro passou a ter ainda mais destaque nesta sexta-feira porque a Justiça determinou sua inclusão na chamada “difusão vermelha” da Interpol, mecanismo usado para localizar pessoas procuradas internacionalmente. Magro mora em Miami há cerca de uma década e, de acordo com a investigação, seguiria administrando parte dos negócios da empresa a partir dos Estados Unidos.
Na semana passada, durante entrevista coletiva após encontro internacional, Lula comentou que pediu cooperação a Trump para combater o que chamou de redes ligadas ao crime financeiro. A fala gerou forte repercussão porque incluiu uma referência direta a brasileiros que vivem em Miami e são investigados no Brasil. Embora o presidente não tenha citado Magro nominalmente naquele momento, o contexto da operação desta sexta deu novo peso à declaração.
Outro ponto que chamou atenção foi a presença de Cláudio Castro entre os alvos da operação. No caso do ex-governador, foram cumpridos mandados de busca e apreensão. A PF apura se agentes públicos teriam contribuído para manter a estrutura empresarial funcionando apesar do histórico de dívidas e questionamentos fiscais. Até o momento, a defesa dele afirma que aguarda acesso completo aos autos para se manifestar.
O caso reacende uma discussão antiga no país: como grandes empresas conseguem permanecer ativas mesmo acumulando dívidas bilionárias por tantos anos. Enquanto a investigação avança, a Operação Sem Refino coloca novamente o setor de combustíveis sob os holofotes e promete novos desdobramentos nas próximas semanas.



