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Flávio Bolsonaro gera desconforto na GloboNews ao citar repasses do Banco Master

Em entrevista ao vivo na GloboNews na tarde de quinta-feira (14), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) provocou um momento de evidente constrangimento entre os jornalistas ao trazer à tona os aportes financeiros realizados pelo Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, para a própria emissora e para o programa de Luciano Huck. A declaração ocorreu enquanto Flávio respondia a questionamentos sobre suas relações com o banqueiro, alvo de investigações recentes. O senador utilizou o exemplo para questionar a consistência dos critérios adotados pela mídia ao avaliar a origem de recursos.

Flávio afirmou que o Banco Master destinou cerca de R$ 160 milhões à Globo e ao programa de Huck entre 2025 e 2026. Com tom irônico, ele perguntou aos entrevistadores se aquele dinheiro seria considerado “sujo” e se a emissora havia investigado a procedência dos recursos antes de aceitá-los. “Vocês agiram de boa-fé, como eu também fui buscar de boa-fé”, completou o senador, sugerindo que suas próprias transações com Vorcaro seguiram o mesmo padrão de boa-fé adotado por grandes empresas.

O comentário gerou visível desconforto no estúdio. Os jornalistas Julia Duailibi, Octavio Guedes e Malu Gaspar tentaram retomar o controle da entrevista, mas o senador manteve o foco no argumento, ampliando o debate para além de sua defesa pessoal. O trecho rapidamente viralizou nas redes sociais, sendo interpretado por apoiadores como uma resposta enérgica e por críticos como uma tentativa de desviar o foco das investigações.

O Banco Master e Daniel Vorcaro vêm sendo mencionados em reportagens que apuram supostas irregularidades financeiras e conexões políticas. Flávio Bolsonaro admitiu ter recebido recursos do banqueiro e defendeu que Vorcaro frequentava os mais altos círculos da sociedade brasileira, incluindo frequentadores do Supremo Tribunal Federal, até recentemente. Segundo o senador, a seletividade no escrutínio público revela motivações políticas.

Durante a entrevista, Flávio também mencionou aportes do mesmo grupo para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele argumentou que, se o dinheiro fosse problemático, deveria ser tratado de forma uniforme, independentemente do destinatário. A estratégia busca inverter a narrativa e colocar a própria Globo na posição de quem também se beneficiou de recursos do banqueiro.

O episódio ocorre em meio a um cenário de crescente polarização, no qual relações financeiras entre empresários, políticos e veículos de comunicação são frequentemente utilizadas como munição em disputas públicas. Analistas observam que o momento expõe as dificuldades das grandes emissoras em lidar com contrapontos que envolvem suas próprias práticas comerciais.

A repercussão da entrevista reforça o debate sobre transparência e critérios jornalísticos na cobertura de casos envolvendo figuras públicas. Enquanto aliados de Flávio celebram a ousadia do senador, setores da oposição e parte da imprensa classificam a fala como uma manobra diversionista. O caso deve continuar gerando desdobramentos nos próximos dias tanto no Congresso quanto nos veículos de comunicação.

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