Luciano Huck é acusado por Flávio Bolsonaro de receber R$ 160 milhões de Daniel Vorcaro

Durante entrevista ao programa da GloboNews nesta quinta-feira (14), o senador Flávio Bolsonaro reagiu às perguntas sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e acabou envolvendo o apresentador Luciano Huck no debate. O parlamentar foi questionado sobre os áudios e mensagens revelados recentemente, nos quais aparece cobrando repasses financeiros ligados ao filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.
Ao responder às cobranças, Flávio afirmou que sua aproximação com Vorcaro teve finalidade exclusivamente comercial, relacionada ao financiamento do longa-metragem. Segundo ele, não houve qualquer irregularidade ou benefício político envolvendo a parceria. O senador também justificou ter omitido anteriormente o contato com o dono do Banco Master, alegando que estava sujeito a cláusulas de confidencialidade contratuais.
Durante a entrevista, a jornalista relembrou que já existiam questionamentos públicos sobre Vorcaro e o Banco Master ainda em 2024, o que levou Flávio a rebater dizendo que não tinha obrigação de conhecer detalhes sobre a situação financeira do empresário antes das investigações ganharem repercussão nacional.
Foi nesse momento que o senador decidiu ampliar a discussão e mencionou empresas de mídia e entretenimento. Flávio declarou que o Banco Master teria investido cerca de R$ 160 milhões em ações publicitárias e projetos vinculados à Globo e ao programa comandado por Luciano Huck. Ao citar esses números, questionou se os mesmos critérios usados para avaliar sua relação com Vorcaro seriam aplicados a outros parceiros comerciais do banqueiro.
A fala gerou repercussão imediata nas redes sociais, especialmente porque o nome de Luciano Huck foi inserido em um contexto político-financeiro sensível e televisionado ao vivo. O apresentador, até o momento da publicação original da reportagem, não havia se manifestado publicamente sobre a citação.
O caso envolvendo Vorcaro ganhou força após reportagem do The Intercept Brasil divulgar áudios e trocas de mensagens atribuídas a Flávio Bolsonaro. Nas conversas, o senador aparece solicitando pagamentos prometidos para financiar o filme Dark Horse, produção internacional sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Segundo as reportagens, cerca de R$ 61 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025.
Além disso, investigações da Polícia Federal apuram se parte dos recursos relacionados ao empresário teria transitado por empresas e fundos vinculados ao projeto audiovisual. Há também questionamentos sobre a destinação final do dinheiro e eventual conexão com despesas ligadas a aliados políticos.
Flávio, por sua vez, insiste que toda a movimentação financeira foi legal e destinada exclusivamente ao filme. Em entrevistas recentes, o senador afirmou que o projeto já está em fase final de pós-produção e contou com outros investidores privados após a interrupção dos pagamentos atribuídos a Vorcaro.
A entrevista na GloboNews acabou se tornando um dos assuntos mais comentados do dia, tanto pelo tom tenso das respostas quanto pela estratégia do senador de citar outros nomes e empresas ao tentar contextualizar sua relação com o banqueiro. Em vez de esfriar o assunto, a fala parece ter colocado ainda mais gasolina na fogueira política — e Brasília adora uma fogueira quase tanto quanto adora bastidores.
Nos bastidores, aliados e adversários acompanham os desdobramentos do caso, que já impacta o discurso da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. A oposição usa as revelações para questionar transparência e coerência nas declarações do senador, enquanto apoiadores reforçam a narrativa de perseguição política e exploração midiática do episódio.
Com novas reportagens sendo publicadas e investigações em andamento, o caso Daniel Vorcaro segue como um dos principais focos do noticiário político nacional. A depender dos próximos vazamentos e esclarecimentos, a novela promete mais capítulos — e aparentemente com elenco expandido.



