Notícia sobre Nunes Marques é confirmada

O Tribunal Superior Eleitoral realiza nesta terça-feira a cerimônia de posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência da Corte, marcando uma mudança significativa no perfil do comando da Justiça Eleitoral em pleno ano de eleições. A solenidade também oficializa o ministro André Mendonça como vice-presidente do tribunal, consolidando uma nova formação considerada mais discreta e conservadora nos bastidores do Judiciário.
A troca ocorre após a saída antecipada da ministra Cármen Lúcia, que decidiu deixar o cargo antes do fim previsto do mandato. A magistrada afirmou que antecipou a transição para evitar mudanças bruscas próximas ao período eleitoral e garantir estabilidade administrativa à Corte. Segundo ela, o momento exige tranquilidade institucional diante da proximidade do processo eleitoral de 2026.
A chegada de Nunes Marques ao comando do TSE também representa o encerramento de um ciclo marcado pela forte atuação do ministro Alexandre de Moraes no combate à desinformação durante as eleições de 2022. Nos bastidores, integrantes do Judiciário avaliam que a nova gestão deve adotar postura menos expansiva publicamente, com decisões mais discretas e menor exposição política.
Indicado ao Supremo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2020, Nunes Marques ganhou notoriedade por posições consideradas mais moderadas e garantistas em julgamentos no STF. Antes de chegar à Suprema Corte, atuou como desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região e também teve passagem pela Justiça Eleitoral no Piauí. Sua eleição para a presidência do TSE foi formalizada em abril, em votação realizada pelos próprios integrantes do tribunal.
Entre os principais desafios da nova administração está o enfrentamento à disseminação de conteúdos falsos e manipulados produzidos por inteligência artificial. O tema já vinha sendo tratado pelo tribunal nos últimos meses e foi alvo de resolução relatada justamente por Nunes Marques. A norma aprovada pelo TSE restringe o uso de materiais produzidos por IA nas campanhas eleitorais e proíbe a divulgação desse tipo de conteúdo nas 72 horas anteriores à votação.
O avanço das chamadas “deepfakes” preocupa ministros e técnicos da Justiça Eleitoral, especialmente diante da facilidade de manipulação de vídeos e áudios em larga escala. A expectativa é de que o TSE mantenha mecanismos rígidos de fiscalização digital, embora com uma condução considerada mais técnica e menos centralizada na figura do presidente da Corte.
Já André Mendonça, que assume a vice-presidência, também foi indicado ao STF por Bolsonaro e integra o Supremo desde 2021. O ministro construiu trajetória ligada à advocacia pública e ao governo federal, tendo ocupado os cargos de advogado-geral da União e ministro da Justiça. Além da atuação jurídica, Mendonça também possui perfil acadêmico e religioso, sendo pastor presbiteriano.
Dentro do Supremo, o magistrado costuma ser associado a posições conservadoras em temas de costumes e defesa de garantias processuais no âmbito criminal. Em declarações recentes, Mendonça afirmou que o TSE deve atuar com “discrição”, “imparcialidade” e respeito às garantias legais durante o processo eleitoral, sinalizando uma gestão menos confrontativa.
A composição atual do TSE reúne sete integrantes. Além de Nunes Marques e Mendonça, fazem parte da Corte os ministros Dias Toffoli, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva, além dos juristas Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha.
Nos bastidores, alguns integrantes da Corte são vistos como mais próximos da antiga condução do tribunal. Floriano de Azevedo Marques é apontado como alinhado a Alexandre de Moraes, enquanto Estela Aranha mantém boa interlocução com setores ligados à atual gestão do STF, incluindo os ministros Cármen Lúcia e Flávio Dino.
A posse da nova presidência ocorre em meio ao aumento da tensão política envolvendo regras eleitorais, liberdade de expressão e fiscalização das plataformas digitais. Com a proximidade da disputa presidencial de 2026, o comportamento do novo comando do TSE já começa a ser observado por partidos, parlamentares e integrantes do Judiciário. A expectativa é de que a Corte busque equilibrar o combate à desinformação com uma atuação menos personalista — tarefa que, em Brasília, costuma valer mais que promessa de campanha em época de eleição.



