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Morre a médica Juliana Reijane Néo aos 25 anos

A morte da médica Juliana Reijane Néo, de 25 anos, gerou forte comoção em São Carlos, no interior de São Paulo. A jovem faleceu na sexta-feira, 1º de maio, após complicações causadas por meningite, doença que pode evoluir rapidamente e exigir atendimento médico urgente.

Juliana estava internada desde o dia 17 de abril, quando procurou atendimento após apresentar sintomas persistentes que vinham se agravando ao longo de vários dias.

De acordo com informações divulgadas pela Prefeitura de São Carlos, a jovem relatava dor de cabeça intensa havia cerca de uma semana. Além disso, também apresentava episódios de náusea e vômito, sinais que podem estar associados a diferentes quadros clínicos, mas que também aparecem entre os sintomas iniciais da meningite.

Na data em que buscou ajuda médica, Juliana deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Santa Felícia por volta das 11h50.

Durante o período em observação, seu quadro sofreu piora significativa.

Horas depois, às 15h50, ela precisou ser transferida para a UPA Vila Prado já em parada cardiorrespiratória.

A situação mobilizou imediatamente as equipes médicas, que iniciaram procedimentos de reanimação.

Segundo informações oficiais, Juliana foi reanimada após aproximadamente nove minutos de manobras intensivas.

Após estabilização inicial, ela foi encaminhada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de São Carlos, onde permaneceu internada desde então.

Apesar dos esforços da equipe médica e dos dias de tratamento intensivo, a jovem não resistiu às complicações provocadas pela doença.

O falecimento foi confirmado na sexta-feira.

A notícia repercutiu rapidamente na cidade e nas redes sociais, onde amigos, pacientes, colegas de profissão e moradores lamentaram a perda precoce da psicóloga.

Juliana atuava na área da saúde mental e era descrita por colegas como uma profissional dedicada e comprometida.

A clínica Cuhidar Saúde, onde ela trabalhava, publicou uma nota de pesar homenageando sua trajetória.

No comunicado, a instituição destacou as qualidades profissionais e humanas da psicóloga.

“Juliana foi uma profissional ética, dedicada e extremamente comprometida com o cuidado e bem-estar de seus pacientes”, afirmou a clínica.

A nota também ressaltou o impacto deixado por ela dentro da equipe e na vida de pessoas que acompanharam seu trabalho.

“Sua presença deixa uma marca significativa em todos que tiveram o privilégio de conviver com ela e nas vidas que tocou”, dizia o texto.

O caso também ganhou atenção pela decisão solidária tomada pela família após a confirmação da morte.

Segundo a Santa Casa de São Carlos, os familiares autorizaram a doação dos órgãos de Juliana.

A captação foi realizada na madrugada deste sábado, 2 de maio, em uma operação que mobilizou equipes especializadas de diferentes regiões do estado.

Foram captados coração, fígado, pâncreas, rins e vasos sanguíneos.

Os órgãos tiveram como destino hospitais e centros transplantadores localizados em cidades como São Paulo, Barretos e Ribeirão Preto.

A Santa Casa informou que esta foi a terceira captação de órgãos realizada pelo hospital em 2026.

Além disso, a operação marcou um feito inédito para a instituição: foi a primeira vez que o hospital realizou uma captação de pâncreas.

Todo o procedimento contou com participação conjunta das equipes transplantadoras e da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT).

A mobilização foi destacada pelo hospital como exemplo da importância da conscientização sobre doação de órgãos.

Em meio à dor da perda, a decisão da família permitiu que outras pessoas em fila de transplante ganhassem nova chance de vida.

O velório de Juliana ocorreu neste sábado no Memorial Grupo Sinsef, em São Carlos.

O sepultamento foi realizado posteriormente no Cemitério Jardim da Paz.

A meningite, doença responsável pelo quadro clínico da jovem, é uma inflamação das membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal.

Ela pode ser causada por vírus, bactérias ou outros agentes infecciosos.

Nos casos bacterianos, costuma apresentar evolução mais grave e rápida.

Um dos desafios da doença está justamente no fato de seus sintomas iniciais poderem se confundir com condições mais comuns, como gripe, viroses ou enxaqueca.

Entre os sinais mais frequentes estão:

febre alta;

dor de cabeça intensa;

rigidez na nuca;

sensibilidade à luz;

náuseas e vômitos;

sonolência excessiva;

confusão mental.

 

Em situações mais graves, podem surgir manchas arroxeadas na pele e rebaixamento do nível de consciência, sinais considerados emergência médica.

Especialistas reforçam que buscar atendimento rapidamente ao perceber combinação desses sintomas pode ser determinante.

O caso de Juliana gerou ampla comoção justamente pela rapidez da evolução clínica e pela idade da paciente.

A morte de uma jovem profissional em início de trajetória desperta reflexões inevitáveis sobre saúde, prevenção e atenção aos sinais do corpo.

Ao mesmo tempo, a autorização para doação de órgãos transformou uma perda devastadora em oportunidade de esperança para outras famílias.

Às vezes, uma história termina cedo demais — mas ainda encontra uma forma de continuar em outras vidas.

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