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Morre aos 98 anos, Maria Amélia Constantino, a ‘Dedé’

A cidade de Franca se despediu nesta quarta-feira, 29, de uma figura muito querida por gerações: Maria Amélia Inohe Constantino, carinhosamente chamada de “Dedé”. Aos 98 anos, ela encerra um ciclo de vida marcado por coragem, afeto e uma história que atravessou continentes.

Segundo familiares, a partida ocorreu de forma tranquila, por causas naturais, cercada pelo carinho de quem conviveu com ela ao longo das décadas. Dedé deixa dois filhos — Carlos Ernani Constantino, promotor de Justiça aposentado, e Lúcio Eduardo Constantino, advogado — além dos netos Rafael e Jéssica, que hoje carregam um pouco de sua essência e das histórias que ela tanto gostava de contar.

Nascida no Japão, a trajetória de Maria Amélia começou com desafios desde muito cedo. Ainda criança, enfrentou a perda da mãe, uma experiência que marcaria sua vida para sempre. Aos 4 anos, embarcou rumo ao Brasil, numa viagem de navio que, naquela época, simbolizava não apenas distância, mas também esperança de recomeço.

Foi em Franca, no interior paulista, que ela encontrou um novo lar. Acolhida por José Pimenta, conhecido como “Pimentinha”, e por Edna Pimenta, Dedé cresceu ao lado das irmãs Ana Lúcia, Rosa Maria e Regina Helena. Ali, construiu laços sólidos, daqueles que vão além do sangue e se sustentam no cuidado e na convivência diária.

Com o passar dos anos, Dedé se tornou uma presença constante na vida da cidade. Discreta, mas sempre atenta ao que acontecia ao seu redor, ela acompanhou as transformações de Franca — do crescimento urbano às mudanças nos costumes. Quem a conheceu de perto costuma lembrar de sua forma acolhedora de receber as pessoas, com conversas tranquilas e um olhar sempre gentil.

Casada com Ernani Constantino, já falecido, ela formou sua própria família e dedicou grande parte da vida aos filhos e netos. Em tempos em que o mundo parecia correr mais devagar, Dedé valorizava os encontros simples, as refeições em família e as histórias compartilhadas à mesa — hábitos que, hoje, ganham ainda mais significado diante da rotina acelerada que muitas pessoas vivem.

Nos últimos anos, enquanto o Brasil e o mundo enfrentavam momentos desafiadores, como a pandemia e as mudanças sociais que vieram na sequência, Dedé seguia sendo um ponto de equilíbrio para a família. Sua experiência de vida servia como referência, mostrando que a resiliência pode atravessar gerações.

O velório acontece no Memorial Nova Franca, reunindo amigos e familiares que passam pelo local para prestar suas últimas homenagens. O sepultamento está marcado para as 15h, no Cemitério da Saudade, em um momento reservado à despedida e à lembrança de tudo o que ela representou.

Mais do que datas ou acontecimentos, o legado de Maria Amélia está nas memórias que deixa. Histórias de superação, de recomeços e, principalmente, de vínculos construídos com cuidado ao longo do tempo. Em Franca, seu nome permanece associado a uma vida vivida com simplicidade e significado — algo que, no fim das contas, é o que realmente permanece.

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