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Lula liga após derrota e mantém tom frio com senador

A derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal provocou uma reação imediata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que adotou um tom público de serenidade, ao menos nas primeiras conversas após o resultado no Senado.

Antes de se reunir com lideranças políticas no Palácio da Alvorada, Lula entrou em contato por telefone com o próprio Messias e também com senadores aliados. Segundo relatos de bastidores, o presidente evitou demonstrar irritação ou descontrole, mesmo diante de uma derrota considerada histórica no Congresso Nacional.

Em uma dessas ligações, Lula resumiu sua leitura do momento com uma frase direta: “um dia se perde e um dia se ganha”. A declaração indica uma tentativa de tratar o episódio como parte do jogo político, sem transformar imediatamente o revés em crise pública — pelo menos no discurso inicial.

Após os telefonemas, o presidente convocou uma reunião com integrantes centrais da articulação política do governo. Participaram do encontro nomes como Jaques Wagner, líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues, líder no Congresso, e José Guimarães, responsável pela Secretaria de Relações Institucionais.

O objetivo da reunião foi avaliar o impacto da derrota e definir os próximos passos do governo, tanto na relação com o Congresso quanto na escolha de um novo nome para o STF. Apesar do tom mais contido de Lula nas conversas iniciais, o clima interno foi descrito como mais tenso.

Nos bastidores, integrantes do governo passaram a classificar o episódio como uma “guerra” política, sinalizando que o Planalto pode adotar uma postura mais dura nas relações com o Senado. Um dos principais focos de insatisfação é o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, apontado por aliados como peça-chave na articulação que levou à rejeição.

A votação que barrou Messias teve 42 votos contrários e 34 favoráveis, número insuficiente para alcançar o mínimo necessário de aprovação. O resultado rompeu uma tradição de mais de um século, já que indicações ao STF raramente são rejeitadas pelo Senado.

Mesmo tentando manter um discurso público equilibrado, o governo reconhece que o episódio tem peso político relevante. Além da derrota em si, há preocupação com os efeitos sobre a base aliada e a capacidade de articulação em votações futuras, especialmente em um cenário pré-eleitoral.

Outro ponto sensível é a leitura de que o resultado pode ser explorado politicamente por adversários, como sinal de fragilidade do governo no Congresso. Isso aumenta a pressão interna por uma resposta estratégica, seja na recomposição de alianças ou na adoção de medidas mais firmes contra parlamentares considerados infiéis.

Por ora, Lula optou por não escalar o conflito publicamente, mantendo o discurso de normalidade institucional. Mas, na prática, o episódio abriu uma nova frente de tensão em Brasília — daquelas que começam com um telefonema calmo e terminam em rearranjos pesados nos bastidores.

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