Geral

Moraes atuou para derrubar indicação de Lula no Senado, diz site

O Senado Federal impôs ao governo Luiz Inácio Lula da Silva uma derrota histórica na tarde de quarta-feira, 29 de abril. Por 42 votos contrários e 34 favoráveis, os senadores rejeitaram a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Trata-se da primeira rejeição de um nome indicado ao STF desde 1894, configurando um revés político significativo para o Palácio do Planalto em um ano eleitoral.

A articulação que levou à derrota teve como figura central o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O senador do União Brasil-AP, que defendia publicamente o nome de Rodrigo Pacheco para a Corte, atuou nos bastidores para mobilizar votos contra Messias. Relatos de Brasília indicam que Alcolumbre manteve contatos com diversos parlamentares durante a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça, reforçando a oposição à indicação do advogado-geral.

Nos corredores do Palácio do Planalto, a avaliação interna aponta para uma aliança mais ampla contra Messias. Auxiliares de Lula consideram que uma ala do Supremo Tribunal Federal, liderada pelo ministro Alexandre de Moraes, teria se articulado com Alcolumbre para barrar a entrada do atual AGU na Corte. Essa percepção ganhou força durante reunião realizada na noite da votação com a presença do presidente, de Messias e de ministros como José Guimarães e José Múcio.

O nome de Flávio Dino também foi citado nos bastidores do governo como participante de articulações destinadas a dificultar a aprovação de Messias. O ministro do STF, que nega qualquer atuação contrária, integraria o grupo de integrantes da Corte que viam com reservas a chegada do advogado-geral ao tribunal. A suposta movimentação interna do Judiciário teria contribuído para o ambiente desfavorável à indicação.

A rejeição expõe fragilidades na relação entre o Executivo e o Legislativo. Messias, considerado um nome de confiança do núcleo duro do governo, tentou ampliar seu apoio inclusive junto a setores conservadores, aproximando-se inclusive do ministro André Mendonça. Essa estratégia, no entanto, não foi suficiente para superar a resistência construída no Senado e os vetos velados oriundos de outros poderes.

Davi Alcolumbre negou ter liderado uma campanha explícita contra a indicação, embora senadores relatem ter recebido contatos seus pedindo votos contrários. Do lado do Supremo, tanto Moraes quanto Dino rechaçaram qualquer interferência direta na votação. A versão oficial do Planalto atribui a derrota principalmente à ação coordenada de Alcolumbre, mas reconhece que fatores internos ao Judiciário influenciaram o resultado.

A rejeição de Jorge Messias abre um novo capítulo de incertezas na composição do Supremo Tribunal Federal. Com a vaga ainda em aberto, o governo precisa agora recalcular sua estratégia para indicar um novo nome capaz de obter o apoio necessário no Senado, em um ambiente político marcado por desconfianças e disputas de poder entre os Três Poderes.

Mostrar mais

LEIA TAMBÉM: